Morre o historiador Enst Gombrich

Enst Gombrich morreu no último sábado em Londres, aos 92 anos. Era um dos maiores historiadores da arte, autor de livros como A História da Arte, de 1950 (lançado no Brasil pela editora LTC), que vendeu mais de 6 milhões de exemplares em todo o mundo. Há mais de três décadas, A História da Arte é a bíblia dos estudiosos e curiosos sobre a arte desde o Renascimento até o século 20.Gombrich era um especialista na arte do Renascimento. Analisou os fenômenos artísticos e investigou a percepção de que o lado estético de uma obra é apenas um dos aspectos a serem estudados. Entre seus livros mais ambiciosos e ousados estão Arte e Ilusão (no Brasil editado pela Martins Fontes), publicado pela primeira vez em 1960, e Meditaçõs sobre um Cavalinho de Pau (Edusp, 1999), de 1963. Escreveu também uma história do mundo para crianças (Weltgeschichte für Kinder, de 1936, revisada e ampliada em 1985, embora não traduzida nem para o português nem para o inglês).Mas sua principal obra é mesmo A História da Arte. Nela, narra os feitos da criação humana, desde as pinturas rupestres até o impressionismo. Para Gombrich, o impressionismo, ao levar ao extremo a ambição de representar somente o que vemos, sem colocar nada do que sabemos - ao menos em teoria - pôs fim a uma milenar aspiração figurativista, abrindo as portas a uma arte diferente. Este momento de transformação é a matéria que inspirou os ensaios mais importantes de Gombrich, reunidos nos livro Arte e Ilusão. Gombrich também se ocupou da arte contemporânea. Mas não poupou críticas a ela. Na conclusão de Ensaios, escreve: "obviamente houve grandes mestres, mas me parece que a arte do século 20 foi menos importante".Sentimento trágico - Nascido em Viena em 30 de março de 1909, de família judia convertida ao protestantismo, cresceu em um ambiente intelectual de que fazia parte, entre outras personalidades, o compositor alemão Gustav Mahler. Em 1936, depois da anexação da Aústria pela Alemanhã de Hitler, Gombrich se refugiou em Londres onde entrou em contato com os alunos Aby Warburg, fundador junto com Fritz Saxl do Instituto de Investigação Comparada sobre Historiografia e Metodologia da Arte. Com o tempo, a instituição converteu-se no Instituto Warburg, que Gombrich dirigiu durante 15 anos, até 1974.Quando cumpriu 90 anos, Gombrich publicou um livro de ensaios chamado Exílios em que enfrentava sua identidade judia, relembrava seus mestres e o caminho que percorreu até o estudo das artes, a guerra e a imigração. Nesse período, Gombrich recordou que o Iluminismo é um valor da civilização ocidental, mesmo que agora tenha saído da moda e esteja mais em voga o sentimento trágico da vida. Disposto a aceitar as teorias que o século 20 ofereceu, desde a psicanálise até a epistemologia, Gombrich continuo, até sua morte, trabalhando nas teorias sobre a história da arte. Gombrich deixa a esposa Ilse e o filho Richard.

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