Morre o filósofo Gerd Bornheim

Gerd Bornheim, um dos principais filósofos brasileiros, morreu ontem, às 23h15 e aos 72 anos, em sua casa no bairro do Flamengo, em conseqüência de um tumor no cérebro, segundo informou a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), da qual era professor ainda em atividade, tanto da graduação como da pós- graduação, nos cursos de História da Filosofia Contemporânea I e II e Filosofia Geral e Problemas Metafísicos. Seu corpo foi velado hoje e será cremado neste sábado, às 12h30, na Capela E do Cemitério São Francisco Xavier (Caju). Bornheim era solteiro e tinhas duas irmãs, Gerda e Irmgard. Deixa um filho adotivo, Romildo, e um neto, Anderson, de três anos de idade. Borheim ministrava cursos e participava de conferências por todo o país e no exterior, sobre temas que variavam entre filosofia, teatro e artes plásticas. Gerd Alberto Bornheim, que nasceu em Caxias do Sul, escreveu Páginas da Filosofia da Arte, Brecht ? A Estética do Teatro, Sartre: Metafísica e Existencialismo, entre outros. Em 2000, ele foi finalista do Prêmio Multicultural Estadão Cultura.Bornheim teve uma extensa formação em filosofia. O início de seus estudos foi no Rio Grande do Sul, na PUC de Porto Alegre e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em seguida, sua primeira experiência internacional no mundo acadêmico foi na Sorbonne de Paris. Depois esteve em Oxford, na Inglaterra, e em Freiburg, Alemanha. Como professor, ele lecionou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul durante o período da ditadura militar, trabalhou nas UFRGS e na Universidade Federal do Rio de Janeiro, antes de se tornar professor da UERJ. Bornheim também lecionou por um semestre na Universidade de Frankfurt, na Alemanha. Gerd Bornheim foi um divulgadores das idéias de Jean-Paul Sartre no Brasil. Escreveu sobre o criador do Existencialismo em Sartre, que foi editado pela editora Perspectiva na coleção Debates, além de Sartre: Metafísica e Existencialismo. Mas nunca se definiu como sartreano. Falando ao Estado em março de 2000, ele declarou: ?meu pensamento está enraizado, sobretudo, em Heiddeger, em Hegel e em Marx?. Outro autor que despertou o interesse de Gerd Bornheim foi o dramaturgo Betolt Brecht. Sobre seu teatro, Bornheim escreveu em Brecht ? A Estética do Teatro. O filósofo era contra o atrelamento simples e mecânico do teatro de Brecht ao marxismo. Em seu livro, chega a afirmar que Brecht não era brechtiano. Tal como o próprio Marx, que disse certa vez não ser marxista. Apesar de se preocupar com problemas estéticos do teatro e da arte em geral, Bornheim se dedicava sobretudo às questões intrínsecas da filosofia. ?Minha produção sobre teatro é secundária em face da importância que atribuo às minhas atividades filosóficas?, disse ele.

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