Morre o escritor e humorista argentino Fontanarrosa

Uma de seus personagens mais conhecidos é de 1972, 'Boogie, O Seboso', um assassino de aluguel

Jotabê Medeiros,

20 de julho de 2007 | 15h28

Morreu na quinta, 19, aos 62 anos, em Buenos Aires, o cartunista e escritor argentino Roberto Fontanarrosa, apelidado de El Negro. Segundo o jornal O Clarín, ele sofria de uma doença neurológica. Fontanarrosa, grande amigo do cartunista Quino (criador da Mafalda), conhecia muito bem os desenhistas brasileiros e admirava Jaguar, Henfil, Emilio Fernandes e Edgar Vasques.  No Brasil, Fontanarrosa ficou conhecido quando a L&PM publicou, nos anos 80, os álbuns de seu personagem Boogie, O Seboso, um assassino de aluguel criado em 1972, cujas maiores diversões são brincar de franco-atirador de sua janela e comprar armas novas. O traço fino, elegante e limpo do artista influenciou gerações de cartunistas na América do Sul. Ele dizia que copiava, "sem vergonha", o italiano Hugo Pratt. A banalização da violência é radicalizada no personagem Boogie, de Fontanarrosa. Quando alguém pergunta a Boogie se ele viu Dirty Harry, a série de filmes com Clint Eastwood, ele responde: "Detesto filmes de amor". Mas Fontanarrosa também criou personagens como Inodoro Pereyra, e escreveu contos celebrados, como El Mundo Ha Vivido Equivocado, Palabras Iniciales e 19 de Diciembre de 1971, entre outros. Trabalhou nos últimos anos como cartunista do Clarín.  Infância normal  Roberto Fontanarrosa nasceu em Rosário, Argentina, em 1944. "Minha infância foi toda normal, toda comum, sem catástrofe, sem privações terríveis e sem acontecimentos extraordinários. Minha infância não dá certamente para escrever um romance angustiante. Nem dá tampouco para uma historieta", escreveu Fontanarrosa em notas biográficas do próprio punho. Em 1954, encontrou seu grande amor: o futebol. Foi ver num estádio, pela primeira vez, uma partida entre Rosario Central e Tigre. "Se houvesse de colocar uma trilha sonora para minha vida, seria a transmissão das partidas de futebol", disse. Essa paixão tornou-se extremada. Em 1971, seu time, o Rosário Central, ganhou o título argentino. "Gol inesquecível que Aldo Poy fez de aviãozinho, graças ao qual os leporosos do Newells Old Boys foram eliminados na semifinal". Foi assim que nasceu o conto 19 de Septiembre de 1971, incluído em Nada Del Otro Mundo, coletânea publicada pela Ediciones de la Flor em 1988. Deixou em seu website uma espécie de testamento filosófico tão debochado quanto eram seus desenhos: "De mim se dirá possivelmente que sou um escritor cômico, em suma. E estará certo. Não me interessa tanto a definição que se faça de mim. Não aspiro ao Nobel de Literatura. Já me dou por muito bem pago quando alguém chega perto de mim e diz: "Me caguei de rir com seu livro."

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