MORRE O CRÍTICO NEUFVILLE

Morreu na terça-feira em São Paulo, de infarto, o crítico musical franco-brasileiro Jean-Yves Novaes de Neufville Penicaut, aos 55 anos. A morte foi reportada no Facebook por sua filha, Naima Kimachi. O corpo seria cremado hoje, às 16h, no Cemitério de Vila Alpina.

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2013 | 02h15

Segundo reportou Naima, Jean-Yves voltava de uma caminhada pela Vila Madalena quando sentiu-se mal e teve um infarto fulminante. Jean Yves trabalhou como crítico na Folha de São Paulo e no Estado entre os anos 1980 e 2000. Também escreveu para as revistas Bizz e Qualis. Foi curador do Festival Músicas do Mundo, realizado no Sesc Vila Mariana em 1998. Na década de 1990, dirigiu a coleção Neworld na Paradoxx, que lançou no Brasil discos de música africana, celta e de etnopop. Também deu cursos na Casa do Saber.

Era um criterioso colecionador de discos (possuía mais de 8 mil) e estudioso da world music. Em 1999, ele organizou a coletânea Greenpeace Brasil - Volume 1 (gravadora MCD), com faixas de 14 artistas africanos, europeus e brasileiros.

Para compor o CD, Neufville ouviu trabalhos de mais de 300 músicos. "A primeira coisa que pensei foi que as músicas deveriam estar ligadas à natureza, com sons de pássaros e outros animais." O segundo critério foi o rito. Todas as faixas trazem uma forma de celebração religiosa ou amorosa. "Em todas as composições existe algo de ritualístico."

Foi pioneiro em entrevistar artistas como o paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan e o grupo Le Mystère de Voix Bulgares. Cortês e elegante, não costumava cultivar a polêmica fácil e ficou conhecido no meio musical por sua doçura e resistência ao debate hostil.

Recentemente, Neufville buscava voltar à atividade de crítico, que tinha abandonado desde que assumiu a de tradutor. Considerava que a música vivia um momento de impasse, sem criatividade, e ocupando-se mais de combinações de coisas pré-existentes do que da busca do novo.

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