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Morre o coreógrafo Merce Cunningham, aos 90 anos

Um dos maiores revolucionários da dança moderna morreu de causas naturais em sua casa de Nova York

EFE,

27 de julho de 2009 | 13h22

O coreógrafo e bailarino norte-americano Merce Cunningham morreu aos 90 anos em sua casa em Nova York, informou nesta segunda, 27, um porta-voz da Fundação que leva seu nome. Morre mais um nome revolucionário para a dança moderna, após a perda de Pina Bauch. Sua dança, além de descentralizar o espaço do palco, tinha um forte diálogo com a pintura de Rauschenberg, Jasper Johns, Andy Warhol e especialmente com a música experimental de John Cage.

 

"Cunningham morreu em sua casa de causas naturais, disse à Efe um porta-voz da Fundação Merce Cunningham, que também emitiu um comunicado informando que sua morte ocorreu na noite anterior.

 

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Nascido em 16 de abril de 1919 em Centralia, no Estado de Washington, Mercier Philip Cunningham, é considerado um dos grandes coreógrafos e bailarinos de todos os tempos, como Isadora Duncan, Martha Graham ou Sergei Diaghilev.

 

Merce Cunningham orienta bailarinas na Ópera de Paris, em 1973. Foto: EFE

 

"Foi um artista inspirador e um bailarino até seus 80 anos, um coreógrafo visionário e um professor dedicado durante toda sua vida", diz o comunicado assinado pela fundação e pala Mercê Cunningham Dance Company, assinalando a "enorme tristeza" pelo falecimento do artista.

 

O comunicado acrescenta que juntamente com seu sócio "John Cage, abriu espaço para novas maneiras de perceber e experimentar o mundo", ao mesmo tempo em que destaca "sua incansável curiosidade, seu espírito colaborador".

 

"Merce deixou uma marca indelével em nossa criatividade e cultura coletiva. Seu legado resultou no que a dança é agora no mundo, além de um marco para as gerações futuras", diz o comunicado.

 

Cunningham demonstrou seu amor pela dança desde muito jovem, quando ingressou em 1937 no Instituto Cornish na cidade de Seattle (Washington) e onde estudou teatro e dança e conheceu o músico John Cage, com quem iniciou uma amizade e um relacionamento pessoal e profissional que durou até a morte de Cage em 1992.

 

Cunningham estudou também na Universidade de Bennington, onde Martha Graham lecionava e o levou para sua companhia como primeiro bailarino, onde permaneceu até 1945. Um ano antes, em 1944, apresentou sua primeira coreografia em Nova York.

 

Depois de dar aulas no American Ballet (1949-1950), o coreógrafo fundou sua própria companhia de dança, que levava seu nome, e que estreou em uma comunidade de artistas do Estado da Carolina do Norte, onde conheceu pintores como Jasper Johns (1930) o Robert Rauschenberg (1925-2008).

 

Também trabalhou com outros grandes nomes das artes plásticas como Andy Warhol (1928-1987) e Frank Stella (1936), além do músico David Eugene Tudor (1926-1996).

 

Cunningham viveu um ano crucial para sua carreira em 1964, após os sucessos em Paris e Londres, que foram determinantes para que o público e a crítica norte-americana mudasse de opinião em relação à sua maneira de conceber a dança.

 

A partir dessa data, seu nome começou a ser conhecido do grande público e passou a trabalhar mais com as nova tecnologias que o acompanhariam por toda sua carreira.

 

Em junho passado, sua fundação anunciou que sua companhia de dança fecharia dois anos após a morte do artista. Cunningham, que fez 90 anos em abril, quis que sua companhia estivesse preparada para este momento e decidiu que seus bailarinos deveriam iniciar uma turnê mundial com duração de dois anos após a sua morte e se dissolver em seguida. Cunningham apresentou em Nova York seu  "Planejamento do Legado", um roteiro de que a companhia e a fundação que leva seu nome deverão seguir para cuidar de sua herança artística e dos direitos autorais de sua obra.

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