Morre o cinesta francês Claude Miller

Morreu ontem, em Paris, aos 70 anos, o diretor e roteirista Claude Miller. Tendo sido assistente de Jean-Luc Godard e François Truffaut, pode-se dizer que Miller tinha pelo menos um pé fincado na tradição da nouvelle vague. A tal ponto que seu filme mais conhecido, pelo menos no Brasil, baseia-se em um roteiro deixado inédito por Truffaut. Trata-se de Ladra e Sedutora (1989), com Charlotte Gainsbourg no papel principal.

LUIZ ZANIN ORICCHIO, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2012 | 03h08

Ladra e Sedutora é um exemplo perfeito da obra de Miller, um diretor digno, equilibrado e que buscava tanto a leveza quanto a profundidade. Apesar da influência de Godard e Truffaut no início de sua carreira, Miller nunca foi um demolidor como seus mestres. Tanto assim que, no livro de entrevistas Que Reste-t-il de la Nouvelle Vague?, de Aldo Tassone, Miller diz que os "jovens turcos", do mais conhecido movimento cinematográfico francês, praticaram um "verdadeiro terrorismo" ao demolir os diretores franceses da tradição "cinéma de qualité".

O fato é que Miller trilhou uma carreira bastante tradicional, sendo assistente de diretores mais experientes até estrear, em 1976, aos 34 anos, com um sucesso, La Meilleure Façon de Marcher (A Melhor Maneira de Andar), uma homenagem a Truffaut. O filme virou um cult, em especial pela à interpretação de Patrick Dewaere.

Sua carreira seguiu rumo seguro, como o de um cineasta de qualidade absolutamente confiável, autor de filmes que se veem com prazer e permanecem em nossa memória. São os casos de A Acompanhante (1992), La Classe de Neige (1998) e La Chambre des Magiciens. Seu último trabalho foi Théreze Desqueyroux, baseado em obra de François Mauriac, com Gilles Depardieu e Audrey Tautou no elenco.

Sua grande influência foi mesmo Truffaut, de quem dizia ter aprendido uma lição fundamental: "Um caso de amor pode ser contado de modo tão palpitante quanto uma história de suspense". Seu cinema é feito dessa convicção.

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