Morre o ator Marcos Cesana

Também dramaturgo e roteirista, ele teve um AVC no dia 8; aos 44 anos, sua carreira foi prolífica e inclui filmes como Bicho de Sete Cabeças, quadros no Fantástico, novelas e adaptações de peças

, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2010 | 00h00

Morreu na manhã de ontem, aos 44 anos, em consequência de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido no dia 8, o ator, dramaturgo e roteirista de TV e cinema Marcos Cesana. Seu corpo foi velado a partir das 13 horas no Cemitério São Pedro e seria cremado às 16h30 no Cemitério de Vila Alpina. O ator era casado com Mariana e deixa os filhos André, de 13 anos, e Leon, de 1 ano.

Cesana estava em cartaz no teatro com a peça A Alma Boa de Setsuan, de Brecht, que ele mesmo adaptou (ao lado de Marco Antonio Braz, diretor do espetáculo), e que tem Denise Fraga e Ary França no elenco. Segundo amigos, na sexta, dia 7, Cesana foi procurar o ator Rodrigo Lombardi, em cartaz com A Grande Volta, no Teatro Faap, para entregar um roteiro. Em seguida, ao chegar em casa, sentiu fortes dores de cabeça e foi internado no Hospital Samaritano no sábado.

"Ele era um show de talento, de espontaneidade. Tirava personagens do bolso do colete. Alguns iam para o palco, outros ele mostrava para a gente nas coxias, nós que tínhamos ingressos privilegiados", disse Denise Fraga, que o conheceu em 2004 e que trabalhou com ele no quadro Retrato Falado, do Fantástico, na Rede Globo, e na peça Ricardo III, dirigida por Jô Soares.

O último filme em que trabalhou é Reflexões de um Liquidificador, quarto longa de André Klotzel. Tinha uma carreira prolífica. Fez o papel de Feitosa em Lula, o Filho do Brasil, e atuou em filmes de Laís Bodanzky, como Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade. "Perdemos um amigo. Foi uma surpresa descobrir tudo há apenas uma semana", disse a cineasta Laís Bodanzky. "O triste é que ele estava em um processo de ascensão, melhorando cada vez mais como ator. Ele era um ator-autor. Em Chega de Saudade, houve momentos em que eu liguei a câmera só para poder filmá-lo de tanto que ele contribuía para o próprio roteiro. Sei que ele foi reconhecido em vida, mas penso no que ele poderia ainda alcançar e reconheço que perdemos muito hoje."

Na TV, participou de filmes publicitários. Também trabalhou no rádio como imitador, em programa humorístico e como locutor. Em teatro, Marcos Cesana atuou em diversos espetáculos, dentre os quais as peças Vernissage, de Vlacav Havel, Terrorismo, dos irmãos Presniakov; e Felizes para Sempre (2007), de Mário Bortolotto - que convocou uma corrente para torcer pela recuperação do ator em seu blog.

Como autor, escreveu - entre outras - as peças Desamparo, que esteve em cartaz em 1999 no Centro Cultural São Paulo (CCSP), e Ninguém Fala de Amor Como Você, encenada em 2003. No cinema, também trabalhou com João Batista de Andrade (Veias e Vinhos), Hermano Penna (Voo Cego, Rumo Sul) e Jardim Europa, de Mauro Baptista Vedia. Assinou o roteiro de Olho de Boi (2007), ganhador de um Kikito no Festival de Gramado.

Integrou o elenco das novelas Da Cor do Pecado (Globo) e Cidadão Brasileiro (Record). Na TV, participou ainda do teleteatro Quando as Máquinas Param, na TV Cultura. Em 2007 e 2008, esteve em cartaz no teatro paulistano com a peça A Festa de Abigaiu. Em 2008, participou do seriado Casos e Acasos, da Rede Globo.

Suspensa, a peça em que o ator estava atuando, A Alma Boa de Setsuan, voltará a ser apresentada no dia 21, com o ator Laerte Mello, um dos melhores amigos de Cesana, fazendo o papel que foi do colega.

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