Divulgação
Divulgação

Morre o artista plástico Antonio Lizárraga

Figura-chave da arte brasileira da segunda metade do século 20, foi colaborador do 'Estado'

João Luiz Sampaio e Maria Hirszman, O Estado de S. Paulo e Especial para o Estado

15 Novembro 2009 | 16h28

Morreu no começo da tarde de ontem, aos 84 anos, vítima de insuficiência cardíaca, o artista plástico Antonio Lizárraga, figura-chave da arte brasileira da segunda metade do século 20. Após sofrer falência dos rins há duas semanas, ele estava internado na unidade de terapia intensiva do Hospital São Luiz, em São Paulo.

 

 

Lizárraga (1924- 2009) pertence à categoria dos artistas que – mesmo distantes do grande público – são indispensáveis quando se trata de pensar a arte de seu tempo. Acompanhar sua trajetória e analisar os vários elementos presentes em sua carreira nos leva, de certa forma, compreender melhor os rumos da arte brasileira deste século. É verdade que Lizárraga só é brasileiro por adoção, mas participa intensamente do cenário artístico local em um período de grande experimentação formal e social. Conhece São Paulo e sua cena artística em 1956. Animado com o que viu, muda-se definitivamente para o País em 1959. Nesse mesmo ano começa a fazer ilustrações para o Suplemento Literário de “O Estado de S. Paulo”, dando início a uma longa colaboração que se estenderia até 1967.

 

 

É com colegas do jornal que aprende tipografia, linotipia e primeiras noções de diagramação – lições que se tornariam úteis para os trabalhos em programação gráfica e desenho industrial que desenvolve posteriormente. Se nos anos 60 esses trabalhos de caráter aplicado parecem dar à tônica de sua produção, a década seguinte aparece profundamente marcada pela experimentação, pela busca de uma arte de caráter coletivo e urbano. Ações como o projeto de transformação da Rua Gaspar Lourenço, a criação da Cooperativa de Artistas e uma série de experiências no campo da criação gráfica marcam fortemente sua ação nesse período, até o corte radical ocorrido em 1983, quando um acidente vascular cerebral o deixa tetraplégico. Foram necessários dois anos – durante os quais dedicou-se à poesia – para que Lizárraga redescobrisse, por sugestão da parceira Gerty Saruê, as possibilidades de continuar explorando as artes visuais não mais por meio da execução direta do trabalho e de seu virtuosismo técnico – aspecto ressaltado pela crítica do período – mas por meio de sua construção mental. É no projeto, executado por seus assistentes, que ele passou, desde então, a a explorar as múltiplas possibilidades da composição da forma e da cor no espaço.

 

Poeta, ele lançou em abril deste ano o livro “Comunicados Lacônicos”, reunião de aforismos editada pela Ateliê Editorial.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.