Morre Nobel da Paz queniana Maathai, a salvadora de árvores

Wangari Maathai, a primeira africana a ganhar o prêmio Nobel da Paz por sua campanha para salvar as florestas quenianas, morreu no hospital no domingo após uma longa luta contra o câncer no ovário.

DAVID CLARKE E GEORGE OBULUTSA, REUTERS

26 de setembro de 2011 | 11h50

Maathai, de 71 anos, fundou o Movimento Cinturão Verde em 1977 para plantar árvores e evitar que as condições ambientais e sociais se deteriorassem e prejudicassem os pobres, principalmente as mulheres, que vivem na zona rural do Quênia.

Seu movimento se expandiu nos anos 1980 e 1990 para incluir campanhas mais amplas por mudanças sociais, políticas e econômicas, o que a colocou em rota de colisão com o governo do então presidente Daniel arap Moi.

Maathai, que ganhou o Nobel em 2004, foi açoitada, vítima de gás lacrimogêneo e ameaçada de morte por sua devoção às florestas africanas e seu desejo de acabar com a corrupção que costuma significar a destruição delas.

"É uma questão de vida e morte para este país", disse Maathai. "As florestas quenianas estão enfrentando a extinção. Não se pode proteger o meio ambiente a menos que se dê poder às pessoas, dê informações a elas e as ajude a entender que esses recursos são delas e que elas devem protegê-los."

Maathai nasceu nas terras altas do centro do Quênia em 1 de abril de 1940. Ela se formou nos Estados Unidos antes de se tornar a primeira mulher no Quênia a receber um doutorado em medicina veterinária e ser nomeada professora.

"Wangari Maathai será lembrada como uma campeã comprometida com o meio ambiente, com o desenvolvimento sustentável, com o direito das mulheres e a democracia", disse o ex-secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan.

"Wangari era uma líder corajosa. Sua energia e a dedicação de toda uma vida para melhorar as vidas e o sustento das pessoas continuarão inspirando gerações de jovens em todo o mundo", disse.

Em 1989, os protestos de Maathai obrigaram Moi a abandonar os planos de erguer uma torre de escritórios no Parque Uhuru, um oásis de verde que flanqueia a principal estrada que corta o centro da capital queniana, Nairóbi.

Em 1999, Maathai foi espancada e açoitada por guardas durante um protesto contra a venda de terras públicas na Floresta Karura. A floresta em Nairóbi cobre mais de 1.000 hectares e é o lar de animais selvagens como antílopes e também de cavernas usadas por combatentes Mau Mau na sua luta contra o governo britânico.

Maathai chamava o desmatamento florestal de "uma missão suicida".

Além de fundar o Movimento Cinturão Verde, Maathai também foi eleita ao Parlamento em 2002 e nomeada ministra assistente para o meio ambiente em 2003 sob a presidência de Mwai Kibaki.

Kibaki disse que Maathai era "um ícone global que deixou uma marca indelével no mundo da conservação ambiental".

"Com a morte da professora Maathai, o país e o mundo não perderam apenas uma ambientalista, mas também uma grande cruzada pelos direitos humanos", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
GENTEMAATHAIMORRE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.