Morre no Rio o crítico de arte Wilson Coutinho

O corpo do jornalista Wilson Coutinho, que era também professor de Filosofia e crítico de arte do jornal O Globo será cremado amanhã à tarde no Cemitério do Caju, na zona portuária. Ele tinha 56 anos e foi encontrado morto hoje pela manhã por sua namorada, Chica Granchi. Deixa uma filha de 17 anos. Amigos informaram que a causa da morte foi um enfarte.O artista plástico Rubem Grilo contou que Chica considerou estranho o fato de não ter conseguido falar com o namorado portelefone no domingo à tarde, pois o casal tinha marcado um encontro. Na manhã de hoje, ela ligou para Grilo e pediu queeste a encontrasse na casa de Coutinho, em Laranjeiras, zona sul.?Eles tinham o hábito de se falar várias vezes ao dia. Chica ligou insistentemente, mas ninguém atendia. Eu falei com oWilson por volta do meio-dia de domingo e não havia nada fora do habitual. Foi um choque, essas coisas não têm horamarcada?, contou Grilo ao Estado.?Era um pensador das artes plásticas brasileiras, teve papel determinante na formação do nosso pensamento artísticocontemporâneo. Produziu textos de grande interesse, grande alcance, que escapavam do jargão da crítica especializada?, acrescentou.Com mestrado de filosofia em Louven, tese sobre Nietzsche, Coutinho - que foi curador do Museu de Arte Moderna por um ano, sendo um dos responsáveis pela vinda ao Brasil da obra deCamille Claudel.No mês passado, Coutinho trocara um cargo na RioArte ? órgão da prefeitura carioca onde trabalhou por 11 anos ? pelo deassessor especial da Secretaria Estadual de Cultura, a convite da secretária, Helena Severo. Na RioArte, editou trêscoleções de livros: Perfis do Rio, Cantos do Rio e Arenas do Rio, sobre personalidades, locais e temas ligados à cidade,respectivamente. Na coleção Perfis do Rio ele escreveu Um Estilo da Sedução, perfil literário do escritor João Ubaldo Ribeiro, lançado pela editora Relume-Dumará. Na nova função, pretendia, entre outros projetos, editar livros sobre cidades fluminenses.Editor do Segundo Caderno do Globo, onde Coutinho publicava suas críticas, o jornalista Arthur Xéxeo disse ter conversadocom o colega pela última vez na sexta-feira. ?Ele estava cheio de planos, entusiasmado com essas mudanças. Para mim éum desastre. É muito difícil escrever sobre artes plásticas e ele conseguia aliar muita sofisticação ao texto jornalístico. Era ocrítico ideal?, disse Xéxeo.

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