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Morre no Rio aos 61 anos a jornalista Sandra Moreyra

Repórter travava luta contra o câncer desde 2008

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2015 | 19h46

RIO - A jornalista Sandra Moreyra, de 61 anos, que trabalhava na TV Globo desde 1984, morreu nesta terça-feira, 11, no Rio de Janeiro, vítima de câncer no mediastino, área da cavidade torácica. Este foi o terceiro câncer enfrentado pela jornalista nos últimos sete anos. O primeiro surgiu em 2008 e desapareceu após tratamento. Outro foi diagnosticado em agosto de 2013 e exigiu tratamento por quase um ano. Em janeiro de 2014 ela fez uma cirurgia para retirar o tumor e voltou ao trabalho nove meses depois. Em outubro de 2015, quando ainda fazia fisioterapia para se recuperar do segundo caso de câncer, Sandra foi surpreendida novamente pela doença.

Em 20 de outubro passado, ela anunciou pelo Twitter: "Novamente estou sendo posta à prova. Mais um tratamento pra fazer. Eu amo a vida. E vou em frente". Dois dias depois, Sandra se manifestou novamente pelo microblog: "Agradeço muito as mensagens, a solidariedade e o carinho". Ela deixou o viúvo Rodrigo Figueiredo, um casal de filhos e um neto.

Carreira. Neta do poeta Álvaro Moreyra (1888-1964) e da jornalista Eugênia Moreyra (1898-1948) e filha do cronista esportivo Sandro Moreyra (1918-1987) e da professora Lea de Barros Pinto, a carioca Sandra formou-se em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 1976. Desde o ano anterior trabalhava no departamento de pesquisa do "Jornal do Brasil", onde, em 1978, assumiu a função de repórter.

Sandra casou-se, deixou o emprego, mudou com o marido, arquiteto, para a Argélia e engravidou. Quando a família voltou para o Brasil, Sandra passou pelas TVs Bandeirantes e Manchete e em 1984 ingressou na TV Globo. Na emissora carioca, trabalhou como repórter, apresentadora, diretora de programação e editora. Participou de coberturas importantes, como a morte do presidente Tancredo Neves, em abril de 1985, o acidente radioativo em Goiânia, em 1987, o naufrágio do Bateau Mouche, em 31 de dezembro de 1988, e a chacina de Vigário Geral, em 1993. 

Sandra também fez sucesso com a série "Arte da Mesa", exibida pelo "Bom Dia Brasil" a partir de 2004. Nos últimos meses, a jornalista se dedicara à série "Cariocas Olímpicos", exibida desde agosto pelo noticiário "RJTV".

No cinema, Sandra trabalhou como roteirista no documentário "70", lançado em 2014 e dirigido por Emília Silveira. O filme narra o episódio ocorrido no Brasil em 1970, durante a ditadura militar: o embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher foi libertado em troca do envio de 70 presos políticos para o Chile. Passados 40 anos, alguns dos ex-presos relembraram o caso.

Repercussão. Pelas redes sociais, amigos e colegas de Sandra lamentaram sua morte. "Muito, muito triste com a morte da querida amiga Sandra Moreyra. Grande pessoa, alegre, sorridente. Suas matérias eram especiais! Ela era especial... Quando foi internada pela última vez, em outubro, mostrou a força de sempre! Que lição! Saudades", escreveu a colega jornalista Isabela Scalabrini.

"Sandra Moreyra - que nos deixou hoje - era uma daquelas repórteres 'de nascença': Taxa de afetação:zero", escreveu o jornalista Geneton Moraes Neto. "Querida colega, obrigado por sua existência! Que Deus a acolha e que seu exemplo nos ajude a seguir adiante", postou o apresentador Chico Pinheiro.

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