Morre musa de Balanchine

Ex-mulher do grande coreógrafo, Maria Tallchief tinha 88 anos

JACK ANDERSON , THE NEW YORK TIMES,

14 de abril de 2013 | 02h18

Maria Tallchief, uma das mais brilhantes bailarinas do século 20, nascida em uma família de empreendedores de petróleo, e criada em uma reserva indígena em Oklahoma, antes de conquistar os palcos de NY, morreu na quinta, em Chicago, aos 88 anos. Sua filha, a poeta Elise Paschen, confirmou a morte.

Ex-mulher e musa do coreógrafo George Balanchine, Tallchief ficou famosa ao dançar para o Balanchine's City Ballet, no qual encantou plateias com sua rapidez, intensidade e energia. Alcançou o sucesso como protagonista do balé Pássaro de Fogo, de Stravinski, uma das diversas coreografias que Balanchine criou para ela.

Tallchief era filha de um índio da tribo osage, com uma escocesa-irlandesa. Deixou Oklahoma ainda menina, mas seria sempre associada à região. Sua irmã, Marjorie Tallchief, também foi uma bailarina de renome.

Em uma época em que muitas dançarinas americanas adotavam nomes russos, Tallchief, orgulhosa de seu sangue indígena, recusou-se a fazer o mesmo, embora amigos tenham mostrado que seria fácil transformar Tallchief em Tallchieva.

Elizabeth Marie Tallchief nasceu em Fairfax, Oklahoma, em um pequeno hospital, no dia 24 de janeiro, de 1925. Seu pai, Alexander Joseph Tall Chief, era um índio osage de 1,82 metros, idolatrado pelas filhas e cobiçado pelas mulheres, de acordo com as memórias da bailarina. Sua mãe, Ruth Porter, conheceu o marido trabalhando de empregada na casa da sogra.

"Quando papai era garoto, descobriram petróleo no território osage, e da noite para o dia, a tribo ficou rica", Tallchief lembrou em sua autobiografia de 1997, Maria Tallchief: America's Prima Ballerina, escrita em parceria com Larry Kaplan. "Meu pai tinha imóveis em todos os lugares. Era dono do teatro na rua principal e do bar de sinuca do outro lado rua. Nossa casa de terracota de 10 quartos, ficava no alto do morro, com vista da reserva", escreveu.

Tallchief teve as primeiras aulas de balé em Colorado Springs, onde a família passava as férias de verão. Também estudou piano e balé com professores de Oklahoma. Tinha ouvido absoluto, e pensou em ser pianista. Mas a dança tomou toda a sua atenção quando a família, que se sentia confinada à reserva, se mudou para Los Angeles. Foi aluna de Ernest Belcher e de Bronislava Nijinska, que foi coreógrafa do Balé Russo de Diaghilev. Tallchief conheceu Balanchine, com quem se casou em 1946, quando dançava para o Ballet Russe de Monte Carlo, no qual o coreógrafo trabalhava.

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