Morre Mickey Spillane, criador do detetive Mike Hammer

O escritor americano de romances policias Mickey Spillane, criador do detetive durão e machista Mike Hammer, morreu na quinta-feira. Tinha 88 anos. Com as aventuras de Hammer - como Spillane, um veterano da 2.ª Guerra Mundial -, o escritor conquistou milhões de leitores e praticamente inventou o mercado do "romance popular masculino" - histórias cheias de sexo e violência, publicadas em edições baratas e de grande tiragem. Os excessos de Spillane sempre lhe renderam problemas com a crítica, que debochava do estilo exagerado das aventuras de Hammer, que radicalizavam muitos dos clichês do romance policial "hard boiled" criado por Dashiell Hammett e Raymond Chandler, como a mulher fatal e as mudanças tortuosas de enredo. Politicamente, Spillane era um conservador: em uma de suas aventuras, Mike Hammer enfrenta o Partido Comunista dos EUA. Um dos livros de Spillane estrelados por Hammer, Kiss Me Deadly, foi adaptado para o cinema por Robert Aldrich em 1955. O diretor usa o filme para desmontar o livro: na tela, Hammer é o que os críticos sempre o acusaram de ser, um psicopata pervertido, que explora cruelmente a secretária, Velda (nos livros, uma solteirona que sonha em se casar com Mike). O filme de Aldrich é considerado um clássico do cinema.A morte de Spillane em sua casa em Murrells Ilnet, na Carolina do Sul, foi confirmada por Brad Stephens. Não foram fornecidos mais detalhes sobre as causas da morte.Após criar várias histórias em quadrinhos, incluindo algumas para a editora que viria a dar origem à Marvel atual, Spillane escreveu seu primeiro romance tendo Mike Hammer como personagem principal, Eu, o Júri, em 1946. Seguido por 12 outros romances, atingiu a marca dos 100 milhões de exemplares vendidos. Os títulos mais notáveis foram The Killing Man, The Girl Hunters e One Lonely Night, no qual Hammer desmonta uma conspiração comunista.Outro filme inspirado por uma aventura de Mike Hammer The Girl Hunters, de Roy Rowland (1963), teve Spillane no papel principal. As histórias de Hammer também chegaram à televisão, na série Mike Hammer, Private Eye e em filmes produzidos para a televisão.

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