Morre Luciano Pavarotti, um dos mais importantes tenores da história

Aos 71 anos, o mundo da música clássica perde o cantor italiano vítima de câncer no pâncreas

Lauro Lisboa Garcia, do Estadão,

06 de setembro de 2007 | 01h57

Submetido a uma operação para a retirada de um câncer no pâncreas há um ano, o tenor italiano Luciano Pavarotti, que emagreceu 30 quilos desde então e usava uma cadeira de rodas para se locomover, morreu na madrugada desta quinta-feira, 6, aos 71 anos, em Modena, norte da Itália, sua cidade natal. Pavarotti chegou a ser hospitalizado em Modena, de 8 a 25 de agosto, quando saiu para prosseguir o tratamento em sua casa. O porta-voz do hospital, Alberto Greco, não revelou o motivo da internação, mas o diário da região revelou ter sido pneumonia. Veja também:Pavarotti, cantor de voz belíssima, com dicção impecávelPavarotti esteve sete vezes no BrasilOs grandes papéis do tenor Luciano PavarottiHistórias pouco conhecidas do fenômeno PavarottiPavarotti - Nessun Dorma  Os Três Tenores - Nessun Dorma James Brown & Pavarotti Luciano Pavarotti - Ave Maria - Schubert Queen + Luciano Pavarotti - Too Much Love Will Kill You  Uma de suas quatro filhas, Giuliana declarou há algum tempo que o músico sabia que morreria em breve e, em conversas familiares, falava freqüentemente de seu desejo de se juntar aos pais e de encontrar finalmente a paz. Pavarotti, que formou ao lado dos espanhóis Placido Domingo e José Carreras o trio de tenores mais famoso do mundo, teve várias de suas apresentações canceladas desde julho do ano passado, quando foi operado, entre elas um concerto no Brasil ao lado do cantor Roberto Carlos. Nascido em Modena, na região de Emilia Romagna, Itália, em 12 de outubro de 1935, Pavarotti estreou nos palcos no dia 29 de abril de 1961, no papel de Rodolfo, da ópera La Bohème, de Puccini. Quatro anos depois, o tenor, então com 30 anos, fez sua estréia americana ao lado de um mito da ópera, Joan Sutherland, que o recomendou para substituir um cantor doente na ópera de Miami. No mesmo ano, 1935, ele fez sua primeira apresentação no templo da ópera, o Scala de Milão, interpretando novamente o papel de Rodolfo de La Bohème. O triunfo maior viria, porém, em 1969, quando ele cantou I Lombardi em Roma ao lado de Renata Scotto. Gravado num selo independente, o disco teve repercussão imediata e abriu as portas do Metropolitan, em 1972, para Pavarotti. Não demorou para que ele se tornasse uma figura popular, graças a seu jeito simpático, risonho e a um guardanapo, que virou sua marca registrada. Essa história começou em 1973, quando, ao pedir um lenço para sua estréia em Liberty, Missouri, ganhou um guardanapo em seu lugar. Outra marca registrada de Pavarotti foi a ária Nessun Dorma, da ópera Turandot. Desde 1990, quando foi escolhida como tema da Copa do Mundo, a ária de Puccini foi cantada inúmeras vezes por Pavarotti, que soube aproveitar bem seu carisma e familiaridade com as câmeras de televisão. É dessa época o primeiro concerto dos três tenores nas termas de Caracalla, Roma, sob a regência do maestro Zubin Mehta, que resultou no disco clássico mais vendido da história. Nos anos 1990 Pavarotti cantaria em diversos concertos ao ar livre, entre eles o primeiro dedicado a um programa erudito no Hyde Park de Londres, que reuniu 150 mil pessoas. Esse número seria ultrapassado pelo concerto que Pavarotti fez no Central Park de Nova York em 1993, atraindo 500 mil pessoas para o parque. Os três tenores apresentaram-se em todas as copas mundiais de futebol desde 1994 até 2002. Não satisfeito em cantar com os colegas da ópera, Pavarotti fez diversas apresentações ao lado de músicos populares, entre eles a cantora Vanesssa Wiliams e o grupo de rock irlandês U2, com o qual cantou Miss Sarajevo. Tudo por uma boa causa. Pavarotti sempre se colocou a serviço das Nações Unidas em campanhas pela paz e o desarmamento, fazendo apresentações na Bósnia e outras regiões de conflito. Sua última gravação foi feita há três anos, Ti Adoro, compilação de seus maiores sucessos cantados no estilo "popera", ou seja, misturando uma interpretação operística com acento pop. Seu empresário por 36 anos, Herbert Breslin, um ano depois, isto é, em 2004, lançou o livro O Rei e Eu, em que, comentando o estilo, defende que, na verdade, Pavarotti jamais aprendeu a ler partituras direito, tendo dificuldades para acompanhar as partes orquestrais. Nesse mesmo ano ele fez seu último papel numa ópera, o de Cavaradossi, na Tosca montada pelo Metropolitan, recebendo uma ovação de 12 minutos.

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