Monalisa Lins/ Estadão
Monalisa Lins/ Estadão

Morre Jorge Dória, ator com mais de 50 anos de carreira

Ele atuou no teatro, cinema e TV, com desenvoltura entre o humor e o drama

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2013 | 16h07

O ator Jorge Dória, de 92 anos, morreu às 15h05 de ontem. Ele estava internado no Hospital Barra D’or, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio), desde 27 de setembro, devido a uma pneumonia. Nesse período, permaneceu em estado grave e internado no Centro de Terapia Intensiva durante a maior parte do tempo. Segundo a assessoria do hospital, sua morte foi causada por complicações renais e cardiorrespiratórias.

Nascido no bairro de Vila Isabel, Rio de Janeiro, Jorge Dória (1920-2013) era filho de militar, teve uma rígida educação e tinha pela frente uma carreira como funcionário público. Mas, com a morte do pai, rendeu-se às artes irremediavelmente: foram quase 60 anos de carreira, nos quais interpretou papéis marcantes no teatro, no cinema e na televisão. Dória estava internado desde 27 de setembro, no Hospital Barra D´Or, no Rio de Janeiro. Ele morreu devido a complicações cardiorrespiratórias e renais.

A estreia. Em 1952, teve um de seus grandes momentos no palco. Primeiro, lançou-se com o espetáculo As Pernas da Herdeira. Em seguida, entrou para a companhia Eva e Seus Artistas, em que estreou a peça A Amiga da Onça, de I. Bekeffi e A. Stella. Depois disso, permaneceria por cerca de uma década como ator fixo da cia. No período, firmou-se como um dos maiores comediantes do teatro e se destacou por sua atuação em O Freguês da Madrugada (1952), Sabrina (1955) e Valsa de Aniversário (1957).

O grande salto de sua trajetória teatral, contudo, só se deu em 1962, quando protagonizou Procura-se Uma Rosa, de Vinicius de Moraes, Pedro Bloch e Gláucio Gil, dirigida por Hélio Bloch. Também de Pedro Bloch fez Os Pais Abstratos, em 1966, sob direção de João Bethencourt. O encenador foi um de seus mais profícuos parceiros e o conduziu em diversos trabalhos de sucesso, entre eles, o mais afamado espetáculo da carreira de Dória, Gaiola das Loucas. A montagem, que estreou em 1974, ficou em cartaz por cerca de seis anos. Também com Bethencourt voltaria a se encontrar mais de 20 anos depois para criar O Avarento, de Molière.

Outro criador que o acompanhou em sua trajetória foi o dramaturgo e diretor Domingos de Oliveira. Ele o dirigiu em importantes clássicos como Escola de Mulheres, texto de Molière que lhe rendeu o prêmio Mambembe de 1984 e A Morte do Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, que estreou em 1986.

Na televisão, conquistou seu primeiro papel em 1970, na extinta TV Tupi, como parte do elenco da novela E Nós, Aonde Vamos? Na Rede Globo, participou, como Lineu, da primeira versão da série A Grande Família, de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, e Paulo Pontes. “Foi um grande sucesso. Era um programa diferente, todas as cenas se passavam dentro de um ambiente, como se fosse um teatro”, declarou Dória certa vez à Globo.

Na emissora, também se destacou no especial O Noviço – adaptação de Mário Lago para a comédia homônima de Martins Penna. Nos anos 1980, chamou a atenção em Que Rei Sou Eu?, novela de Cassiano Gabus Mendes pela qual o ator recebeu o prêmio APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte, como melhor intérprete de 1989. De Cassiano Gabus Mendes, também integrou o elenco de Meu Bem, Meu Mal, em 1990. Participou ainda de Zazá (1997) e Suave Veneno (1999). Entre 2000 e 2005, pôde ser visto no programa Zorra Total, do qual se afastou depois de sofrer um AVC – acidente vascular cerebral.  

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