Fred Prouser/REUTERS
Fred Prouser/REUTERS

Morre Hugh Hefner, fundador da revista 'Playboy', aos 91 anos

Publicação se transformou em mais que uma marca, e Hugh Hefner provocou uma revolução sexual no século 20

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2017 | 01h17
Atualizado 14 de outubro de 2020 | 20h33

LOS ANGELES - A revista Playboy informou que seu criador e fundador, Hugh Hefner, morreu na noite desta quarta-feira, 27, de causas naturais. O empresário, que revolucionou a cultura e os símbolos sexuais, tinha 91 anos e estava na casa em que vivia, na Playboy Mansion West, em Los Angeles. 

 


A primeira publicação da revista foi em 1953, quando o Estado tinha o direito de proibir métodos contraceptivos e o espaço para falar sobre sexo era quase nenhum. Em plena década de 50, Hefner publicou fotos de Marilyn Monroe nua. No editorial, um texto apimentado e cheio de humor e sofisticação.

Apesar de proibidas para adolescentes, as publicações tornaram-se uma espécie de bíblia para os homens. O conteúdo aboradava de fotos e textos picantes a entrevistas dinâmicas e profundas com personagens como Fidel Castro, Frank Sinatra, Marlon Brando, o ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, e até mesmo John Lennon, em 1980, pouco antes de ser assassinado. 

+++ O Enigma da “Playboy”

Ao publicar as fotos das 'coelhinhas', como são chamadas as modelos e mulheres que posam nuas ou em poses sensuais para a revista, Hefner desafiou as crenças puritanas, e apresentou ao mundo uma nova forma de consumir fotografia e sexo. Desde o primeiro número da revista, a circulação saiu de 200 mil no primeiro ano para mais de 1 milhão em 5 anos. 

Hefner e sua marca - a publicação expandiu barreiras e se consolidou como uma grande grife -, eram inseparáveis. A dupla chegou a ser ridicularizada por anos, enquanto eram tratados como vulgares, adolescentes e até anacrônicos. Mas Hefner seguiu a empreitada e conseguiu montar um império, que foi comparado ao de Jay Gastby, personagem criado por  Francis Fitzgerald, Citizen Kane, uma ficção de Orson Welles  e Walt Disney. Apesar das boas comparações, Hefner preferiu ser uma história independente, e associava sua trajetória a um filme romântico: vestia pijamas de seda, que ele mesmo transformou em uniforme, fumou intermináveis cigarros e era presença e promoter constante de festas cheias de glamour e famosos. 

Acusado de machista e opressor, Hefner chegou a afirmar: "as mulheres são as maiores beneficiárias dessa situação criada pela Playboy, que propõe acabar com a hipocrisia em torno do sexo". "Mas algumas pessoas estão agindo como se a revoluçaõ sexual fosse um prêmio apenas para os homens".

Queda e adaptações

Apesar da proposta ousada - e bem aceita -, a revista teve seu tapete puxado pela internet, à medida que o acesso a conteúdo sexual ficou fácil e barato.  O consumo do material específico e exclusivo da Playboy caiu muito. Em 2015, para tentar repaginar seu conteúdo e reconquistar leitores, a equpe editorial da revista americana decidiu parar de publicar fotos de nudez

No Brasil, a franquia da revista optou por não deixar de mostrar as fotos de nudez, e para isso convidava de personalides do reality shows como Big Brother Brasil a cantoras sem histórico na música. Alguns leitores se posicionaram contra a seleção dos perfis que vinham sendo fotografados e publicados. O colunista do Estado, Marcelo Rubens Paiva, chegou a escrever: "perdemos a Playboy"

+++ No Brasil, ‘Playboy’ ainda avalia fim da nudez feminina

Mudança 

No País, o título esteve sob comando da editora Abril durante 40 anos. Em 2015, após reformulação da Abril, a publicação passou para outras mãos, e revista começou a ser feita pela Playboy Brasil (PBB), dirigida por um grupo paranaense sem experiência no ramo editorial. /Com informações das agências de notícias

 

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