Arquivo/AP
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Morre George Whitman, dono da Shakespeare & Company

Dono da famosa livraria em Paris tinha 98 anos

estadão.com.br,

15 de dezembro de 2011 | 16h41

George Whitman, dono da mítica livraria Shakespeare & Company de Paris, morreu aos 98 anos em seu apartamento. Ele morreu por complicações após um derrame sofrido há dois meses, segundo o New York Times.

Whitman sofreu um derrame em outubro, mas se recusou a ficar no hospital e exigiu ser levado para casa, que fica acima da livraria. A loja foi fechada nesta quinta-feira. Na porta, velas, flores e romances foram depositados junto ao anúncio da morte de Whitman. Bilhetes com homenagens foram coladas, com agradecimentos e elogios.

A loja, aberta em 1951 na margem esquerda do rio Sena, era abrigo de escritores em início de carreira para que terminassem seus romances. Além de ser palco de chás literários e encontros com os mais diversos autores, conhecidos ou não.

Whitman nasceu em Nova Jersey, nos Estados Unidos, em 12 de dezembro de 1913, mas passou parte da infância na China. Mudou-se para Paris em 1948, tendo uma bicicleta e um gato como as suas únicas posses, como ele descrevia.

Abriu a livraria Le Mistral em 1951 e a rebatizou anos depois como Shakespeare & Company, em homenagem a Sylvia Beach, proprietária da Shakespeare & Company original, responsável pela primeira edição de Ulisses, de James Joyce. A loja, frequentada por escritores como Joyce e Ernest Hemingway, foi fechada durante a Segunda Guerra Mundial.

Quando morreu, em 1962, Sylvia Beach deixou para Whitman os direitos da marca e livros. A Le Mistral de Whitman tornou-se Shakespeare and Company dois anos depois. Já famosa no meio literário, a loja virou ponto de encontro de escritores como Arthur Miller, James Baldwin, Samuel Beckett, Anaïs Nin, Lawrence Durrel, William Burroughs, Gregory Corso e Ginsberg e, consequentemente, ponto turístico dos apaixonados por literatura.

Whitman dizia viver de acordo com o lema tirado de um poema de W.B. Yeats - "Não seja inóspito a estranhos, pois eles podem ser anjos disfarçados" -, Whitman ajudava artistas desconhecidos em troca de ajuda na loja ou na cozinha. Centenas de pessoas deixaram notas contando suas histórias de vida.

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