Morre escritor francês Maurice Blanchot

Os jornais franceses Libération e Le Monde noticiam hoje a morte do escritor francês, Maurice Blanchot aos 95 anos de idade, ocorrida em sua casa de Yvelines, no domingo. Figura de grande reputação nas letras francesas, estudioso da literatura que influenciou gerações de intelectuais, Blanchot era um intelectual recluso, misterioso, do qual são conhecidas apenas duas fotos muito antigas. Ele nasceu em 22 de setembro de 1907, em Quain, na Borgonha.Blanchot foi um jornalista político na juventude, ligado à imprensa de extrema direita nos anos 30, escrevia no Journal des Débats, era tido como monarquista e anti-semita. Mudou de posição depois da 2.ª Guerra Mundial, abandonando a imprensa e inicioando sua vida de reclusão mais voltada à literatura. Nos anos 60, contrariando suas convicções juvenis tornou-se um dos articuladores do "Manifesto dos 121" contra a guerra da Argélia, atuando também a favor dos acontecimentos que marcaram o mês de maio de 1968 na França. Segundo os jornais franceses, ele foi o último dos escritores de uma geração que teve Marguerite Duras, Michel Leiris, Louis-René des Forêts ou Pierre Klossowski. E influenciou os "grandes" das letras francesas,como Jean-Paul Sartre, Michel Foucault, René Char e Roland Barthes.Entre os vários livros que escreveu um de seus estudos mais famosos foi publicado no Brasil pela editora Rocco. Em Espaço Literário, de 1955, Blanchot analisa a literatura de Mallarmé, Bataille, que foi seu grande amigo, Nietzsche, Hölderlin, Sade e Lautréamont, Rilke, Artaud, Char, Beckett.Entre suas obras de ficção e crítica literária estão Thomas L´Obscur, seu romance mais conhecido, publicado em 1941, Le Très-haut, e L´Arrêt de Mort de 1948, Lautréamont e Sade e La Part du Feu, de 1949, Le Livre à Venir, de 1959 e L´Entretien Infini, de 1969.

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