Morre em SP o ator Carlos Zara

Morreu nesta manhã, em São Paulo, aos 72 anos, o ator Carlos Zara. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês há cinco dias por causa de uma broncopneumonia. O velório será no próprio hospital. O corpo vai ser cremado, no final da tarde, no Crematório de Vila Alpina, zona Leste da capital paulista. Carlos Zara era casado há 23 anos com a atriz Eva Wilma. Em 50 anos de carreira, Zara participou de 30 novelas, 26 peças e 4 filmes.Antônio Carlos Zarattini nasceu em 14 de fevereiro de 1930, em Campinas, interior de São Paulo. Mudou-se para a capital para estudar engenharia, que acabou trocando pelos palcos. "Na verdade, eu queria tocar piano, era louco por música clássica", contou ao JT, numa entrevista recente. "Depois de oito anos de muito estudo e pouco progresso, me convenci de que não tinha talento para ser concertista."Sua estréia profissional se deu em 1953, com a peça Cama para Três, sob a direção de Dulcina de Moraes. A montagem o ajudou conquistar seu espaço na prestigiada companhia de Nídia Lícia e Sérgio Cardoso. "O teatro foi meu berço de ator. Foram os palcos que me ensinaram tudo aquilo que precisava saber para fazer um bom trabalho na televisão."Zara e Eva chegaram à TV Record em 1956, logo nos primeiros anos da televisão brasileira, assim como sua mulher Eva Wilma, que estreou na TV Tupi em 1953, com o seriado Alô Doçura. Em 1960, Zara foi convidado para dirigir adaptações de clássicos da literatura para o Grande Teatro Record.Quando a Record encurtou a temporada de Grande Teatro, com o objetivo de investir em projetos mais comerciais, Zara decidiu deixar a emissora. "Peguei meu chapéu e saí. Nem recebi meu último salário", contou. De lá, foi para a Excelsior, que à época reunia um elenco de peso, incluindo Chico Anysio, Jô Soares, Daniel Filho, Tarcísio Meira e Glória Menezes.Foi na Excelsior que o ator viveu um de seus papéis mais marcantes, o Capitão Rodrigo, do romance O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, adaptado em 1967. O personagem, que Zara dizia ser sua obra-prima, fez tamanha fama que o ajudou nos tempos de vacas magras, no início dos anos 80, quando a emissora fechou as portas. "Por sete meses, vivi de fazer bicos em bailes de debutantes às custas do sucesso do personagem."Em 1973, Zara e Eva contracenaram na novela Mulheres de Areia. Zara fazia o galã Marcos, e Eva, as gêmeas Ruth e Raquel. Das telas, o romance chegou à vida real, em 77, após Eva separar-se do ator John Herbert. "Desde então, nunca mais desgrudei de Eva. Gosto de acompanhar sua carreira bem de perto", disse. E foi assim ao longo de toda sua bem-sucedida carreira, até seu último trabalho na TV, o seriado Mulher. Exibido pela Globo entre 98 e 99, o seriado trazia Zara e Eva nos papéis de marido e mulher.Dentre as muitas produções em que fez parte do elenco, Zara foi destaque em várias novelas da Rede Globo, como Pátria Minha, Sassaricando, Guerra dos Sexos e Pai Herói. Atuou em minisséries da emissora, como Anos Rebeldes e A Madonna de Cedro. Seu último trabalho no cinema foi em Lamarca, de Sérgio Rezende. Também trabalhou em Pra Frente, Brasil, de Roberto Farias.

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