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Morre em São Paulo o jornalista Pedro França Pinto

Ele deixou sua marca no jornalismo como editor da 'Variedades' do 'Jornal da Tarde'. Tinha 59 anos

Sérgio Vaz, especial para o Estado,

12 Fevereiro 2010 | 15h39

"Pedro França, o único jornalista rico, fino e chique de São Paulo." Essa expressão foi publicada diversas vezes, no Jornal da Tarde, nos anos 70 e início dos 80, nos textos assinados por seu amigo Telmo Martino, na editoria de Variedades - textos carregados de humor e muito veneno, uma espécie de coluna social sobre os famosos da época que não era assinada como coluna social.

 

Pedro França Pinto, morto nesta sexta-feira, 12, em São Paulo, aos 59 anos (completaria 60 no próximo mês de março), fez Direito na Pontifícia Universidade Católica (PUC) e História na Universidade de São Paulo (USP), mas tornou-se jornalista logo que deixou o curso.

 

Trabalhou no Grupo Estado por mais de 25 anos. Foi repórter, redator, subeditor e editor no Jornal da Tarde, a partir de 1974, onde começou como setorista do Palmeiras (embora fosse torcedor fanático da Portuguesa) e passou pelas editorias de Esportes, Reportagem Geral e Variedades. Deixou o jornal por alguns anos no fim da década de 80, para o que costumam chamar de período sabático - uma temporada em Florianópolis, distante do jornalismo diário.

 

Retornou ao Grupo Estado em meados dos anos 90 para a Agência Estado, onde trabalhou em diversas áreas, inclusive no início do pioneiro site da agência na internet, em 1995. Participou diretamente da integração do portal estadao.com.br - até então de responsabilidade da Agência Estado - à redação do Estado, em 2002. Foi um dos editores executivos do portal e posteriormente trabalhou como redator do Caderno 2.

 

Não era rico, ao contrário do que dizia a frase bem-humorada do colunista do Jornal da Tarde, embora viesse de importante família paulista. Mas seguramente era fino e chique, segundo atestam diversos dos muitos amigos que fez ao longo de várias décadas no Grupo Estado. A discreta elegância de suas roupas e de suas maneiras era a mesma que dedicava aos textos e ao trabalho de edição.

 

"Pedro França foi o jornalista mais rico, fino e chique que eu conheci em meus 40 anos de carreira", diz Sandro Vaia, ex-diretor de redação do Estado, que trabalhou com Pedro ao longo de boa parte dessas décadas. "Rico de humor , fino de espírito, chique de talento. A presença dele dava dignidade e altivez a um treino da Portuguesa ou a uma guerra no Líbano. Nunca conheci uma alma tão generosa, uma presença tão doce, um ser humano tão digno. Vou plagiar aqui um título antológico que o saudosíssimo Guilherme Cunha Pinto escreveu quando morreu Picasso: morreu Pedro França, se é que Pedro França morre."

 

"Era impressionante a facilidade com que ele editava e fechava as páginas", recorda-se Valter Pereira de Souza, o Valtinho, que trabalhou ao lado de Pedro França na Variedades do Jornal da Tarde durante vários anos, na década de 80, como diagramador. Mais tarde, Valter tornou-se editor de arte do Jornal da Tarde e continuou sendo um dos amigos mais chegados de Pedro França.

 

"Ele tinha um ótimo texto e era rápido e preciso na hora da edição. Durante todo o tempo em que ele foi editor de Variedades, não atrasamos um dia sequer o fechamento. Estou muito chocado com a morte dele", disse, com dificuldade para conter a emoção.

 

O corpo de Pedro França Pinto será velado no Cemitério do Araçá (Av. Dr. Arnaldo, 666), a partir das 9 horas deste sábado, 13, e será sepultado às 14 horas, no Cemitério da Consolação (R. da Consolação, 1.660).

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