Morre em Curitiba o apresentador Luiz Carlos Alborghetti

Tinha 64 anos e criou um estilo que inspirou sucessores como Marcelo Rezende, Leão, Datena, Ratinho

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

09 Dezembro 2009 | 17h18

Cena do último vídeo do apresentador publicado na internet, dia 17 de outubro. Foto: Reprodução

 

SÃO PAULO - O apresentador Luiz Carlos Alborghetti nesta morreu na tarde desta quarta-feira, 9, em sua casa em Curitiba, no Paraná. Segundo a Rádio Colombo, onde Alborghetti apresentava o programa Cadeia-Profissão Repórter, aos 64 anos, ele lutava contra um câncer de pulmão desde o último mês de março e estava em coma há cerca de dois meses. O velório de Alborghetti acontece na Assembleia Legislativa de Curitiba. A família ainda não decidiu o local do sepultamento.

 

Alborghetti iniciou sua carreira em 1976, em uma rádio de Londrina com um programa policial que relatava os crimes ocorridos na cidade. Ficou famoso na década de 90, quando apresentou o programa "Cadeia Nacional", na Gazeta.

 

Ele grunhia, batia com o cassetete na mesa, pedia para a polícia deixá-lo empalar os inimigos com o cassetete, atacava os próprios cameramen, recebia humildes para distribuir dentaduras, cadeiras de rodas, promessas vãs. Não raro, incitava a linchamentos. Inspirou dezenas de apresentadores que vieram depois, como Marcelo Rezende, Leão, Datena, Ratinho. Seu programa virou modelo para diversos outros da mesma natureza.

 

 

"Cadeia" começou no rádio, em Londrina, mas logo foi para a TV, iniciando polêmica carreira na antiga TV Tropical, Canal 7, ao lado da Universidade de Londrina. Foi contratado pelo empresário curitibano José Carlos Martinez para integrar a equipe de uma nova rede de TV em Curitiba, a CNT, que tinha como meta a competição com a Globo (segundo dizem, parte de um esquema de PC Farias, antigo tesoureiro de Fernando Collor).

 

Na rede CNT, virou estrela. O seu mais próximo assistente era um sujeito atarrancado chamado Carlos Massa, apelido Ratinho. Massa era um faz-tudo do programa, chegava a dirigir o carro de Alborghetti e eventualmente o substituía. Mais adiante, por conta da popularidade na televisão, "Cadeia" virou deputado.

 

Quando a CNT se aliou à TV Gazeta, em São Paulo, seu programa se tornou nacional e passou a encostar nos 10 pontos de audiência, uma marca histórica para a Gazeta. Acontece que Alborghetti ficou fora de controle. Chamou os governadores Fleury e Covas de "bundas-moles" no ar. Covas reagiu, pediu sua cabeça. Alborghetti foi tirado do ar e começou o seu declínio. O discípulo mais próximo, Ratinho, tinha os próprios planos para a posteridade. Alborghetti chegou a acusá-lo de puxar o seu tapete. Mas a roda da fama já o tinha abandonado.

 

Colaborou Fabiana Marchezi, da Central de Notícias

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