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Morre Elmore Leonard, um mestre da literatura policial

Americano escreveu mais de 40 livros; ‘Raylan’ e ‘Djibouti’ saem em breve

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2013 | 19h17

Em novembro de 2012, o escritor de romances policiais Elmore Leonard recebeu uma medalha da National Book Foundation por sua contribuição à literatura americana. Tinha, então, 86 anos e 45 livros escritos. E motivação para trabalhar em mais alguns. “Provavelmente não vou desistir (de escrever) enquanto eu não desistir de tudo, na minha vida, porque isso é tudo o que eu sei fazer. E me divirto escrevendo. Eu disse a mim mesmo: Você tem que se divertir fazendo isso, ou isso te enlouquecerá”, comentou em entrevista à época da homenagem, quando escrevia seu 46.º romance, Blue Dreams, que estava previsto para 2013, e pensava nas histórias que viriam depois.

Mas no dia 29 de julho, já com 87 anos, ele sofreu um acidente vascular cerebral. Chegou a sair do hospital, e morreu ontem, em sua casa, num subúrbio de Detroit, cenário de boa parte de seus livros, ao lado da família.

Nascido em 11 de outubro de 1925, em New Orleans, Leonard trabalhou como redator publicitário até a década de 1960, quando decidiu se dedicar à literatura em tempo integral. Embora tenha se consagrado como autor romances policiais como Ponche de Rum, adaptado para o cinema por Quentin Tarantino em Jackie Brown, Irresistível Paixão, Bandidos e Cuba Libre, ele primeiro se celebrizou como autor de faroestes como Hombre e A Lei em Randado. É dele o roteiro de Joe Kidd, protagonizado por Clint Eastwood.

Ao ganhar seu último prêmio, o autor foi incluído pela National Book Foundation numa seleta lista de escritores. Ao lado dele, nomes como Ray Bradbury, Norman Mailer, Arthur Miller, Philip Roth e John Updike. Ficou sabendo de uma outra homenagem, mas não deu tempo de vê-la concluída. A Library of America publicará, em 2014, quatro volumes dele em capa dura – outros serão lançados posteriormente –, em coleção que dedica aos grandes autores americanos. Entre eles, Herman Melville e Saul Bellow.

Leonard citava Ernest Hemingway como uma inspiração – ele confessou certa vez ter estudado atentamente os livros dele para aprimorar sua própria escrita. No entanto, criticava a ausência de humor na prosa do autor de Paris é Uma Festa.

Gostava de Hemingway, mas era chamado de Dickens de Detroit pela maneira vívida e intensa como retratava personagens marginais e marginalizados da cidade. Para ele, aliás, personagens eram mais importantes que a ação. Dono de uma linguagem simples e direta, Leonard não gostava, porém, de comentar sobre seu processo ou seus personagens. Questionado sobre qual seria seu protagonista preferido, respondeu: “Gosto deles todos. Se um não funciona, ele acaba levando um tiro”.

Leonard virou sucesso de público já sessentão. O reconhecimento da crítica veio um tempo depois. Mas fato é que quase todas as suas criações viraram best-sellers mundiais – com ou sem a ajuda dos filmes que elas inspirariam – um dos primeiros adaptados foi Hombre, em 1967, com Paul Newman no elenco.

Há cerca de 20 livros disponíveis nas livrarias brasileiras – quase todos publicados pela Rocco, que não tem mais nenhum título dele para ser editado. Mas há dois volumes no prelo da Companhia das Letras. Em outubro, ela lança Raylan, o 45.º romance de Leonard. E em 2014, sai Djibouti, publicado em 2010 e que mistura piratas somalis e terroristas da Al Qaeda.

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