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Morre austríaco Hans Hollein, Pritzker de arquitetura

Autor do Museu de Arte Moderna de Frankfurt, ele alargou fronteiras da arquitetura

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2014 | 12h28

Morreu aos 80 anos em Viena o arquiteto e designer austríaco Hans Hollein, que ganhou em 1985 o Pritzker Prize, a maior distinção da arquitetura internacional. Hollein foi descrito pelo ministro da Cultura da Áustria, Josef Ostermayer, como "um mestre arquiteto, professor inspirado e visionário".

Um dos manifestos mais debatidos de Hollein foi o texto Tudo é Arquitetura, que previa a expansão do conceito clássico do ofício. "Uma verdadeira arquitetura de nosso tempo tem de redefinir a si mesma e expandir seu significado. Muitas áreas externas ao edifício tradicional vão entrar no domínio da arquitetura, assim como a arquitetura e os 'arquitetos' deverão penetrar em novos campos". Por conta disso, sua atividade abrangia um leque amplo: desenhava de óculos a móveis. E museus.

Sua obra tinha um toque ligeiramente esnobe, como no uso de palmeiras de bronze em uma agência de viagens em Viena. Ele também chegou a projetar um Guggenheim Museum para Salzburg, em 1990, numa época em que o diretor da instituição, Thomas Krens, saiu pelo mundo com um projeto de expansão da marca. O projeto, cancelado, seria um enclave na pedra. O plano era instalá-lo em três níveis dentro de Mönchsberg, uma formação rochosa que é um marco na paisagem da cidade, de uma maneira que seria quase invisível do lado de fora. Seu plano bateu competidores como Giancarlo de Carlo, Gerhard Garstenauer, Jean Nouvel e Josef Paul Kleihues.

Hollein recebeu o título de mestre de arquitetura da Universidade da Califórnia, em Berkeley, em 1960, desenhando edifícios como o Museu de Arte Moderna de Frankfurt (cuja forma triangular, numa esquina em forma de Y, o fez ser apelidado de Fatia de Bolo) e o museu de vidro e cerâmica de Teerã. Ele deixou um filho, Max, e uma filha, Lilli.

Seus projetos de museus, como o Museu Abteiberg, em Mönchengladbach, além do pavilhão austríaco na Bienal de Veneza, são muito celebrados. Também foi autor de numerosos planos de exposições e instalações em museus ao longo de sua carreira. Lecionava na Hochshule für Angewandte Kunst, em Viena, e na Düsseldorf Academy, além de ser docente convidado na Washington University, University of California de Los Angeles e na Universidade Yale.

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