Morre aos 87 o editor de moda Fernando de Barros

Morreu ontem à noite o jornalista de moda Fernando de Barros, aos 87 anos. Ele estava internado há uma semana no Hospital São Luís para tratar de uma pneumonia. Seu enterro estava marcado para as 15 horas, no Cemitério do Morumbi, em São Paulo. Fernando de Barros foi editor de moda da Playboy por 26 anos, mas sua permanência na editora Abril foi de 35 anos. Barros escreveu dois livros sobre moda, Elegância, de 1997, e O Homem Casual, em 1998. Referência no mundo fashion brasileiro, ele ganhou uma homenagem em 2000 com o livro Ele é Top ? Fernando de Barros, editado pela também jornalista de moda Eda Romio. Português de Lisboa, Fernando de Barros chegou ao Brasil em 1940. Sua vinda ao País não teve relação com a moda, e sim com o cinema. Barros chegou ao Brasil convidado para a equipe de Pureza, filme de Chianca de Garcia baseado em José Lins do Rêgo. Um atropelamento no Rio o impediu de tomar parte na produção. ?Fraturei cabeça, nariz e vértebras da coluna. Renasci no Brasil e decidi ficar, porque sempre fui guiado por acontecimentos?, disse ele ao Estado em agosto de 1997. Mas o cinema ainda iria garantir sua sobrevivência no País. No fim dos anos 40, ele foi convidado para ser produtor-geral da Vera Cruz, que vivia o início de uma fase de produção industrial no auge do cinema brasileiro. Como produtor, Barros realizou oito filmes: Tico Tico no Fubá (1952), Apassionata (1952), Arara Vermelha (1957), Copacabana Palace (1962), As Cariocas (1966), O Homem Nu (1968), Cléo e Daniel, (1970) e A Are de Amar Bem. Também escreveu o roteiro de seis: Caminhos do Sul (1949), Uma Certa Lucrécia (1957), Moral em Concordata (1959), Dona Violante Miranda (1960), A Arte de Amar Bem (1970) e Lua de Mel e Amendoim (1971). O capricho que Barros demonstrava com o visual de atores e atrizes nos filmes que produzia foi responsável por sua carreira no jornalismo. Em 1960, o editor da revista Quatro Rodas o convidou para escrever sobre moda na publicação. Barros aceitou e disse, anos depois, que havia descoberto com a moda algo mais criativo que o cinema. A nova carreira não parou mais, e até o fim de sua vida trabalhou na revista Playboy, na qual era responsável pelos editoriais de moda. Seu trabalho era conceber e coordenar os ensaios fotográficos sobre moda da revista. Além disso, ele respondia a dúvidas de leitores na revista ou em sua versão para a Internet. Presença certa nos grandes eventos da moda brasileira, Fernando de Barros era crítico dos desfiles tal comosão feitos atualmente. ?Os desfiles são longos e chatos, os estilistas mostram peças de lojas?, disse ele ao Estado. A experiência em moda levou Fernando de Barros a fazer uma coleção de moda masculina para a grife Dudalina. A coleção Dudalina por Fernando de Barros é composta por uma linha de camisas sociais e ?sport chic? e uma linha de gravatas. Os dois livros de Fernando de Barros dão dicas de moda para homens. Em Elegância ? Como o Homem Deve se Vestir, ele resolve questões que geralmente são problema para os homens, como a combinação correta de ternos, camisas, gravatas e meias. Já em O Homem Casual ? A Roupa do Novo Século, Fernando de Barros não estabelece combinações rígidas, mas recomenda um modo de vestir para homens que não gostam de perder tempo diante do espelho. O sucesso comercial de ambos, porém, foi marcante. Elegância vendeu 5 mil exemplares em duas semanas, o que obrigou a editora Negócio a fazer uma segunda edição logo após o lançamento.

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