Morre aos 81 a pintora Fayga Ostrower

A intuição movia as mãos delicadasde Fayga Ostrower, pintora, desenhista e gravadora, que morreuna quarta-feira, aos 81 anos, vítima de câncer. Além de umaobra respeitável, seu maior legado foi uma técnica pessoal quevalorizava os mínimos gestos, transformados em pontosdeterminantes da existência artística. Nascida em Lodz, na Polônia, em 1920, filha de famíliajudia, ela chegou ao Brasil em 1934, naturalizando-se emseguida. Começou os estudos artísticos na década de 40, quandose identificou com o expressionismo, forma que lhe permitiuexercitar sua crítica à condição social dos menos favorecidos.Na década seguinte, interessou-se pelo abstracionismo, nomomento em que defender a nova forma significava lutar pelamodernização das artes plásticas. Sua dedicação garantiu-lhe o Prêmio Nacional de Gravurana Bienal de São Paulo, em 1957, o que atraiu a atençãoespecialmente da crítica internacional. No ano seguinte, foipremiada em Veneza, época em que já ensaiava deixar obranco-e-preto e aderir aos trabalhos coloridos, que expandiramsua criação. Depois da Itália, expôs na Alemanha, Estados Unidos Argentina, Inglaterra, Espanha e União Soviética. Ao mesmo tempo em que consolidava seu estilo criativo,Fayga Ostrower dedicava-se com afinco ao ensino das artes. Seumétodo, porém, não se limitava à simples transmissão deinformação, mas procurava desenvolver e incitar a criação de umolhar crítico. Decidida a democratizar a linguagem artística,chegou a dar aulas para operários de uma fábrica carioca. Fayga escreveu ainda livros sobre a história da arte, emque percorreu da pré-história até o século 20. Em mensagemenviada à família, o ministro da Cultura, Francisco Weffort,elogiou sua dedicação: "Sua preocupação com os processos decriação artística a levou a escrever obras sobre o tema, bemcomo sobre teoria da arte e análise crítica."

Agencia Estado,

14 de setembro de 2001 | 16h09

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