Morre aos 80 anos o ator Fernando Torres

Último trabalho de Torres, que era casado com Fernanda Montenegro, foi no filme 'Redentor', em 2004

Roberta Pennafort e Márcia Vieira,

04 de setembro de 2008 | 17h01

O ator, produtor e diretor Fernando Torres morreu na madrugada desta quinta-feira, 4, aos 80 anos, em sua residência, em Ipanema, na zona sul do Rio. Ele sofria do pulmão havia alguns anos e seu estado de saúde vinha bastante fragilizado. A causa da morte não foi revelada pela família, que sempre se manteve discreta quanto à sua condição. Torres tinha 80 anos e era casado havia 57 com a atriz Fernanda Montenegro, com quem teve dois filhos, a também atriz Fernanda Torres e o cineasta Cláudio Torres. O corpo não será velado, por decisão da família, e será cremado nesta sexta-feira, às 14 horas no Crematório do Cemitério do Caju, na zona portuária do Rio.   Veja também:  Fernando Torres deixa sua marca na história do teatro, por Beth Néspoli   Segundo o ator e diretor Sérgio Britto, muito amigo do casal, ele estava sentindo dores terríveis havia algum tempo. "Fernanda há de compreender que ele precisava morrer", disse Britto. "Eu estou arrasado com a morte dele, mas torcia para ele morrer. Ele estava sofrendo demais. Durante anos, recebeu um tratamento errado que fuzilou a saúde dele". Britto, que trabalhou intensamente com Torres nas décadas de 50, 60 e 70 e depois continuou "permanentemente ligado" a ele, contou que esteve com o amigo vinte dias atrás, no restaurante Fiorentina, na zona sul do Rio, e que lá ele foi homenageado. "Ele estava bem. A dor e o sofrimento não o assustavam. Mas recentemente ele piorou muito. A dor devia ser terrível porque ele passou a chorar, gritar de dor".   A mulher sempre respeitou sua decisão de permanecer em casa. "Fernanda foi maravilhosa. Nunca o internou. Ele queria ficar em casa e ela respeitou isso. Estava ao lado dele na hora da morte. Mantinha quatro enfermeiros se revezando ao lado dele. Nunca falou sobre a doença que ele tinha. Era alguma coisa no pulmão, mas não sei o que era. Sempre respeitei o fato de os dois serem muito discretos." Também amiga da família de muitos anos, a atriz Eva Wilma contou que todo o círculo de atores com o qual o casal se relacionava se mobilizara com a doença de Torres. "Nós todos estávamos torcendo para que o Fernando se livrasse do sofrimento. Agora ele está livre e estará para sempre conosco".   Em suas últimas aparições públicas, o ator, que se deslocava numa cadeira de rodas, parecia bem frágil. No entanto, de acordo com os amigos, ele nunca perdeu o bom humor, característica destacada por vários artistas que lamentaram sua morte. Em novembro do ano passado, quando completou 80 anos de idade e 60 de carreira, Torres foi homenageado com uma exposição no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio. A produção foi da mulher e da filha. Foram exibidos fotos raras e inéditas, que relembraram momentos marcantes de sua vida artística, e filmes relevantes, como Redentor (2004), dirigido pelo filho Cláudio Torres, e A Ostra e o Vento (1997), de Walter Lima Jr. Ele compareceu à abertura vestindo um elegante terno e foi cercado por muitos colegas, que fizeram questão de prestigiá-lo.   Carreira   Um dos fundadores do Teatro dos Sete, Torres nasceu no Rio em 1927 e fez sua primeira aparição nos palcos foi em 1949 na peça A Dama da Madrugada, de Alejandro Casona. Saiu da capital fluminense em 1952, seguindo para São Paulo, na companhia da atriz Fernanda Montenegro, sua futura mulher. Em 1958 assinou a primeira vez a direção de uma peça - Quartos Separados - quando trabalhava no Trabalho Brasileiro de Comédia (TBC). Em O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, Torres foi premiado como diretor revelação. Como ator, ele ganhou prêmio em Seria Cômico.... Se Não Fosse Sério. Torres teve tripla função - direção, produção e atuação - na peça A Mais Sólida Mansão. Na década de 80 ele produziu espetáculos de sua mulher, Fernanda Montenegro: Dona Doida, Um Interlúdio e Suburbano Coração.   Na televisão, Torres atuou em tramas como Pouco Amor Não É Amor (1963), Baila Comigo (1981), Zazá (1997) e Laços de Família (2000), em que interpretava o personagem Aléssio Lacerda. No cinema, o ator trabalhou em filmes como Ação Entre Amigos (1998), A Ostra e o Vento (1997), O Beijo da Mulher Aranha (1985), Inocência (1983) e em Redentor (2004), que foi dirigido por seu filho Claúdio.   Em recente entrevista ao Estado, Fernanda Montenegro falou sobre casamento ao comentar um de seus recentes papéis na TV, como Iraci na minissérie Queridos Amigos, de Maria Adelaide Amaral, exibida em fevereiro na Globo. Casada por mais de 50 anos com Fernando Torres, viveu na telinha Iraci, uma aposentada amargurada pela tortura que deixou marcas indeléveis em sua filha, Bia, mas não se deixava abater e se divertia em bailes da terceira idade com o amante Alberto (Juca de Oliveira), um homem casado com quem não queria compromisso sério. "Ela diz que casamento é chato", comenta Fernanda sobre a personagem. "Eu digo que casamento é um pulo no abismo. Você salta e vê no que vai dar. Pode não ter fundo ou pode ter uma pedreira te esperando."

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