Morre, aos 78 anos, a atriz Norma Bengell

A atriz Norma Bengell morreu na madrugada desta quarta-feira, 09, vítima de problemas respiratórios causados por um câncer no pulmão esquerdo. Ela estava internada em um hospital do Rio de Janeiro. Segundo amigos e familiares, Norma, quer tinha 78 anos, estava lúcida, embora tivesse dificuldades para reconhecer algumas pessoas. Ela sofria com problemas de saúde desde 2010, quando uma série de quedas em sua casa provocou um problema na coluna que dificultava sua locomoção.

UBIRATAN BRASIL E ROBERTA PENNAFORT, Agência Estado

09 de outubro de 2013 | 12h49

A atriz não quis tratar o câncer, descoberto seis meses atrás, segundo contou o primo Egberto Castro. Ele disse que ela teve qualidade de vida em casa nesses últimos meses, e só foi internada no último sábado, na Clínica Bambina, quando o quadro se agravou. "Eu não sei dizer o porquê da decisão. Ela estava triste. Não quis se submeter a qualquer tratamento e foi respeitada. Foi muito digna. Quis ficar em seu apartamento, em Copacabana, entre suas fotos. Nunca quis morar no Retiro dos Artistas, por exemplo. Para sair era uma dificuldade, por conta da cadeira de rodas, mas costumava comer o seu sushi aos domingos, com a cuidadora", disse o primo.

O velório será às 18 horas no cemitério São João Batista, e a cremação, nesta quinta, 10, no Caju. As cinzas serão jogadas na pedra do Arpoador, local escolhido por Norma.

História

Considerada uma das principais atrizes do Cinema Novo brasileiro, Norma Bengell protagonizou o primeiro nu frontal da cinematografia nacional, no filme "Os Cafajestes", dirigido em 1962 por Ruy Guerra. Dona de uma beleza estonteante, voz sensual, Norma começou a carreira fazendo comédias de chanchada, como "O Homem do Sputinik" (1959), de Carlos Manga e protagonizada por Oscarito.

No cinema, trabalhou ainda com Walter Hugo Khouri ("Noite Vazia"), Julio Bressane ("O Anjo Nasceu"), Paulo Cézar Saraceni ("A Casa Assassinada"), Glauber Rocha ("A Idade da Terra"). Sua presença sedutora encantou também a crítica internacional, como a conceituada revista francesa Cahiers du Cinema.

Além de atriz, Norma aventurou-se também como cineasta, estreando em 1988 com "Eternamente Pagu", mas causando polêmica com sua versão de O Guarani (1987), por conta das acusações de irregularidades na prestação de contas da produção. Seu último trabalho como diretora foi o documentário "Infinitamente Guiomar Novaes" (2003).

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