Morre Altamiro Carrilho

Virtuose da flauta transversal, autor de mais de 200 músicas, era aclamado como um dos clássicos do choro

JULIO MARIA , ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2012 | 03h09

O flautista Altamiro Carrilho morreu ontem de manhã no Rio, aos 87 anos. Ele havia descoberto um câncer no pulmão recentemente e não teve tempo de tratá-lo. Vinha com problemas no coração e dificuldades para respirar - justamente o virtuoso que tanto fôlego demonstrava em seu instrumento. Segundo os amigos, além do amor maior pela música, uma outra característica manteve até o fim: o bom humor.

"Fui visitá-lo no hospital há algumas semanas e ele continuava fazendo piadas. Estava com uma suspeita de câncer no pulmão. Foi operado duas ou três vezes por causa de problemas no coração. Depois eu soube que tinha recebido alta, e agora essa...", lamentou ontem o gaitista Mauricio Einhorn, com quem Altamiro tocou com frequência nos últimos 15 anos.

O empresário de Altamiro, Sérgio Pargana, contou que a devoção à profissão era tamanha que o próprio médico lhe recomendava tocar até quando fosse possível. "Ele sabia que a música era a vida dele. Altamiro não conseguia mais tocar duas horas sem parar, mas adorava fazer shows com seu conjunto, mesmo tocando um pouquinho só. E o público queria a presença dele."

O último show havia sido no começo de junho, em Uberlândia (MG). Na ocasião, ele disse, em entrevista a uma emissora de TV local: "Eu tenho a impressão de que se eu parar com a música, eu paro. Desde criança, eu convivo no meio dos músicos." Já estava debilitado. Em julho, ficou 17 dias internado. Foi quando o tumor foi descoberto.

Predestinado. Benedito Lacerda já era grande quando sintonizou na Rádio Tamoio para ouvir seus choros de todos os dias. Flautista sem concorrência por aqueles anos 40 e 50 do Rio de Janeiro, percebeu alguém tocando de um jeito muito parecido com o seu. Sem se lembrar de quando havia gravado aquilo, chamou a mulher para tirar as dúvidas. "Ôndina, quando foi mesmo que eu gravei esta música que está tocando no rádio?" Mas a mulher não se enganou. Quem estava tocando não era o marido, mas um garoto chamado Altamiro alguma coisa. "Vocês acabaram de ouvir Altamiro Carrilho!", disse o locutor. Benedito não se conteve. Vestiu as roupas e seguiu às pressas para a Rádio Tamoio para conhecer o menino. Assim que o viu, teve certeza de estar diante de um prodígio.

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