Morre a veterana Jane Wyman, estrela dos anos 40 e 50

Aos 93 anos, atriz é lembrada pelo Oscar em 'Belinda' e por ter sido casada com Ronald Reagan

Luiz Carlos Merten, do Estadão,

07 de setembro de 2010 | 14h50

Nos anos 80, a imprensa americana adorava publicar fofocas como a seguinte. Ronald Reagan, como presidente dos EUA, podia ser o homem mais poderoso do mundo, mas ganhava apenas US$ 200 mil por ano. Sua ex-mulher, a atriz Jane Wyman - que o dispensara, pedindo o divórcio - retomou a carreira e, fazendo uma participação no seriado de TV Falcon Crest, ganhava oito vezes mais do que ele, US$ 1,6 milhão ao ano. Jane Wyman morreu na manhã desta segunda, 10, em sua casa, em Palm Springs. Tinha 93 anos.   Ela nasceu Sarah Jane Folks no Missouri, em 1914. Começou como corista, dançando em espetáculos musicais. Não era particularmente bela. Jane Wyman talvez pertença a uma categoria muito particular de estrelas que irromperam em Hollywood nos anos 40, após a Segunda Guerra Mundial. Ao contrário das figuras glamourosas dos anos 30, ela tinha um prosaico tipo familiar. Como Dorothy McGuire, encarnava à perfeição a esposa suburbana.   Foi assim que, contratada pela Universal, foi emprestada à Paramount para fazer a mulher de Ray Milland num filme (noir) que se tornou clássico - Farrapo Humano, de Billy Wilder, que ganhou os principais Oscars de 1945. A própria Jane Wyman ganharia a estatueta de melhor atriz em 1948, por sua interpretação de uma garota muda que era vítima de estupro em Belinda, de Jean Negulesco.   Sua carreira inclui filmes assinados por Clarence Brown (Virtude Selvagem, de 1946), Alfred Hitchcock (Pavor nos Bastidores, de 1950) e Douglas Sirk (Magnífica Obsessão e Tudo o Que o Céu Permite, no biênio 1954/56).   Personagens sentimentais   O último tornou-se o modelo para Longe do Paraíso, de Todd Haynes. Jane Wyman fazia uma viúva negligenciada pela família - o filho lhe dava uma TV para mitigar seu isolamento, uma profética antecipação do diretor Sirk do que ocorreria com tantos idosos solitários nos anos e décadas seguintes.   No que virava motivo de escândalo para seu grupo social, ela tinha um affair proibido com o jardineiro, interpretado por Rock Hudson. Jane era muito eficiente ao encarnar personagens sentimentais e românticas, mas Hitchcock, no livro com a entrevista que concedeu a François Truffaut - Hitchcock Truffaut -, a responsabiliza pelo fracasso de Pavor nos Bastidores.   Segundo o mestre, Jane não se conformava de interpretar uma mulher sem graça, cujo brilho era ofuscado pela estrela Marlene Dietrich (afinal, era um filme ambientado no mundo do teatro). Jane procurava ficar bonita, a cada cena, indo contra as indicações do diretor, que confessa que terminou por se aborrecer com o filme.   A própria Jane creditava a outro tipo de aborrecimento o fim da união com Reagan. Como presidente do Sindicato dos Atores, ele só queria falar de questões sindicais. "Ficou muito chato", queixava-se Jane. Reagan se vingou. Em sua autobiografia, dedica apenas duas linhas à mulher com quem foi casado por nove anos e uma delas foi para dizer que ela era contratada da Warner.

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