Morre a soprano Neyde Thomas

Morreu na manhã de ontem, aos 81 anos, vítima de um câncer, a soprano Neyde Thomas. Nos últimos anos dedicada à atividade pedagógica, ela foi uma das principais cantoras de ópera do País. Integrou, a partir dos anos 60, o elenco da Deutsche Oper, de Berlim, e cantou ao lado de artistas como os tenores Plácido Domingo e Luciano Pavarotti. Uma de suas últimas aparições públicas foi no começo de junho, quando esteve entre os homenageados da noite de reabertura do Teatro Municipal de São Paulo.

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2011 | 00h00

Nascida em São Paulo, Neyde Thomas começou cedo os estudos de canto e fez sua estreia em óperas nos anos 50, cantando títulos como La Traviata e Rigoletto (ao lado do barítono Paulo Fortes). Já no início dos anos 60, partiu para a Europa, onde, após vencer um concurso, encarnou a protagonista de Lucia di Lammermoor, de Donizetti, em Regio Emilia, na Itália. Cantaria em seguida na Ópera de Monte Carlo, na Academia de Santa Cecília (Roma), no Liceu de Barcelona, no Teatro Angelicum (Milão), no Palais de Beaux Arts (Bruxelas)e no Palácio de La Musica (Barcelona), além dos Municipais de São Paulo e Rio.

No final da década, dois convites colocariam seu nome no grande circuito da ópera internacional. Cantou Don Giovanni, no Metropolitan Opera House, de Nova York. E foi convidada a integrar a companhia estável da Deutsche Oper, em Berlim. Lá, atuou ao lado de grandes artistas - há disponível uma gravação em que canta La Traviata sob a regência de Lorin Maazel. Dirigida por Walter Felsenstein, gravou também uma versão em vídeo da ópera de Mozart.

De volta ao Brasil, a partir de meados dos anos 70, ela foi aos poucos trocando de repertório, deixando de lado os papéis mais leves e cantou, entre outras, a Tosca, de Puccini. Ao seu lado, em diversas produções, o barítono italiano Rio Novello, seu marido. Nos anos 80, fez uma grande turnê pelo Brasil acompanhada do pianista Miguel Proença.

Após se aposentar dos palcos, Neyde se dedicou à formação de cantores. Estabeleceu-se no Paraná, onde era presença constante na Oficina de Música e promovia espetáculos regulares com trechos de óperas. Há dois meses, participou do lançamento de Vida e Arte, livro sobre sua vida e carreira escrito pelo maestro Julio Medaglia. Além de repassar os principais momentos da trajetória de Neyde Thomas, Medaglia reuniu rico material iconográfico - fotos, programas, reproduções de críticas de jornal. O livro traz encartado um CD com gravações realizadas ao longo da vida da soprano.

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