Sepp Dreissinger
Sepp Dreissinger

Morre a pintora austríaca Maria Lassnig, aos 94 anos

No ano passado, artista recebeu o Leão de Ouro da 55.ª Bienal de Veneza por sua trajetória

06 de maio de 2014 | 18h43

Homenageada no ano passado com o Leão de Ouro da 55.ª Bienal de Veneza, a pintora austríaca Maria Lassnig morreu nesta terça-feira, 6, aos 94 anos, em Viena. Famosa por suas representações humanas grotescas, a artista estava hospitalizada há vários dias, com a saúde frágil.

Por ocasião da premiação máxima por sua trajetória, a Biennale di Venezia, presidida por Paolo Baratta e com curadoria, em sua 55.ª edição, do italiano Massimiliano Gioni, anunciou que “por mais de 60 anos, Maria Lassnig investigou a representação, tanto do corpo quanto do indivíduo, em pinturas que frequentemente retratam estados de inquietação, excitação ou desespero”. “Através de seus autorretratos, Lassnig compôs uma enciclopédia pessoal da autorrepresentação, a qual chamou de ‘pinturas de corpo-consciência’”, dizia o comunicado.

Durante o nazismo, a obra de Maria Lassnig foi considerada “arte degenerada” pelo regime alemão. Mesmo depois da 2.ª Guerra, demorou um tempo para que a artista pudesse ser reconhecida em seu país. Em 1968, ela imigrou para os Estados Unidos, regressando em 1980 à Áustria. Somente em 1988, Maria recebeu o Grande Prêmio do Estado Austríaco por sua carreira.

Atualmente, uma importante exposição de suas obras está em cartaz, até dia 25, no MoMA PS1, espaço do Museu de Arte Moderna de Nova York. É sua primeira grande mostra em solo americano, focada, principalmente, nos autorretratos da artista. Segundo a instituição, Maria Lassnig é uma das principais pintoras contemporâneas, autora de uma obra que representa o “mundo interior”.

Nascida em 8 de setembro de 1919 em Kappel am Krappfeld, Carinthia, na Áustria, Maria Lassnig estudou na Academia de Belas Artes de Viena durante a 2.ª Guerra Mundial. Na década de 1950, a pintora participou do Hundsgruppe, grupo influenciado pelo abstracionismo abstrato do qual participaram artistas como Arnulf Rainer, Ernst Fuchs e Anton Lehmden.

Na época, até a década de 1960, dedicou-se, em passagem por Paris, à abstração gráfica, como também ao abstracionismo informal. Depois desse período, a pintora retornou à figuração para se dedicar à criação de retratos, em grande parte, de si própria, a fim de explorar o tema da representação do corpo/psiquê. Geralmente sobre fundo branco, a complexidade de suas figuras se dá com o uso da cor, expressiva.

Ao emigrar para Nova York, Maria Lassnig estudou, entre 1970 e 1972, animação de filmes na School of Visual Arts da cidade. Nesse momento de sua trajetória, a artista faz experiências em curtas-metragens.

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