Morre a diva da era disco

Donna Summer tinha 63 anos e vendeu cerca de 130 milhões de álbuns; ela sofria de câncer

ROBERTO NASCIMENTO , O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2012 | 03h09

Donna Summer, rainha pop de voz aveludada que marcou a história da disco music, morreu ontem, aos 63 anos. A cantora batalhava contra um câncer de pulmão, e estava na Flórida. Em seu ápice, nos anos 1970, emplacou uma série de hits que definiram a música de pista da época. Entre as mais conhecidas, Love to Love You, I Feel Love, Bad Girls e Hot Stuff, hinos de discoteca que renderam a Summer uma popularidade duradoura, que foi muito além do auge da disco.

Donna Summer ganhou cinco prêmios Grammy: em 1978 (melhor vocal de R&B, por Last Dance); 1979 (de novo melhor vocal de R&B, por Hot Stuff); 1983 (melhor performance, por He's a Rebel); 1984 (melhor performance, por Forgive Me); e em 1997 (Melhor disco Dance, por Carry On). Nascida em uma família religiosa, no Massachusetts, LaDonna Adrian Gaines começou a cantar no coral gospel de sua igreja. Durante a adolescência participou de um grupo de rock chamado Crow, e logo depois mudou-se para Nova York com o intuito de trabalhar em musicais. Conseguiu um papel na produção alemã de Hair e seguiu em turnê com a companhia pela Europa, onde conheceu e casou-se com o ator austríaco Helmut Sommer, cujo sobrenome adaptaria para Summer.

Enquanto fazia backing vocals para o grupo de soul Three Dog Night, chamou a atenção dos produtores Giorgio Moroder e Pete Bellotte, com que formaria uma parceria duradoura e prolífica durante os anos 70. O primeiro hit internacional do trio viria em 75, com o single Love to Love You. Também lançado em formato estendido, para ser mixado por disc jockeys em festas noturnas, algo incomum na época, o hit ficou conhecido como um dos primeiros marcos das disco, com seu arranjo de violinos e acompanhamento de guitarras com wah-wah. Em seguida o time de Summer passou a desenvolver esta paleta. Em discos como Love Trilogy, Four Seasons of Love e I Remember Yesterday, Moroder e Bellotte arquitetavam arranjos cada vez mais sofisticados que definiram a sonoridade da disco em seu ápice comercial.

Curiosamente esses três discos renderam apenas um dos grandes hits de Summer, a seminal I Feel Love. Influenciado pela pulsação sintética de Kraftwerk, especialmente pelo trabalho do grupo alemão no disco Trans- Europe Express, Moroder compôs um longo hino de pista que por décadas seria citado como influência por produtores de música eletrônica, de house a techno. Summer chegou ao seu ápice comercial no final da década, com o disco Bad Girls, que tem o single de mesmo nome e Hot Stuff, onipresente canção em qualquer festa de disco. Mas, pressentindo o declínio do gênero, enveredou para o R&B mais soft, de cantoras como Patti Labelle, no início dos anos 80. Continuou colaborando com produtores como Quincy Jones e continuou lançando faixas de sucesso, como She Works Hard For The Money, embora o seu legado mais influente esteja nos discos dos anos 1970.

Uma declaração emitida pela família de Summer disse: "Esta manhã perdemos Donna Summer, uma mulher de muitos talentos, o maior deles sendo a fé. Nós sofremos com sua perda e celebramos sua vida extraordinária e a continuação de seu legado".

Em 2009, Donna esteve pela última vez no Brasil, cantando no Credicard Hall. Não gravava desde 1991, e estava promovendo o disco de retorno, Crayons, mas a casa lotou assim mesmo. "Simpática, falante e com o vozeirão ainda potente, Donna pediu desculpas pelo atraso involuntário, contou histórias por trás das canções do novo álbum e homenageou, emocionada, o amigo Michael Jackson, interpretando a canção predileta de ambos, Smile, de Charlie Chaplin", escreveu o crítico Lauro Lisboa Garcia, que viu o show.

Segundo o relato do crítico, a introdução ao foi kitsch. "Uma tecladeira cafona enchia de glacê meloso grandiloquentes temas clássicos. Uma voz em off anuncia a entrada da cantora, recebida por três dançarinos em fardas paródicas de Sgt. Peppers fingindo tocar clarins. Fachos de luz projetados no telão por trás da cantora, posicionada no alto da escada, lembrando a vinheta de abertura dos antigos filmes da Columbia Pictures. O tema não poderia ser mais apropriado: The Queen Is Back, faixa do novo CD".

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