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Morre a atriz Yoná Magalhães aos 80 anos

Ela estava internada desde o dia 18 de setembro, por problemas cardíacos, em um hospital no Rio

O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2015 | 11h46

Atualizado às 20h

RIO  - A atriz Yoná Magalhães morreu nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, de complicações cardíacas. Estava com 80 anos. Yoná estava internada havia 33 dias na Casa de Saúde de São José, no Humaitá, no Rio. Ela passou mal em 18 de setembro, sendo socorrida no pronto-atendimento do setor de cardiologia do hospital. A atriz precisou ser submetida a uma cirurgia, mas sofreu complicações pós-operatórias e morreu pouco depois das 10h.

O corpo da atriz do clássico Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), do cineasta Glauber Rocha, e de dezenas de novelas será velado a partir das 10h de hoje no cemitério Memorial do Carmo, no Caju, zona norte carioca. A cerimônia de cremação está marcada para 13h30. Yoná deixa um filho, Marcos Mendes, do casamento com o produtor Luiz Augusto Mendes. 

Nascida em 7 de agosto de 1935, no bairro do Lins, subúrbio do Rio, Yoná Magalhães começou a trabalhar como atriz no começo dos anos 1950, para complementar a renda da família, pois o pai estava desempregado. O início da carreira foi na rádio e na TV Tupi, onde começou fazendo figuração e pequenos papéis. Logo passou a estrelar novelas e o Grande Teatro, programa de teleteatro que encenou cerca de 450 peças nas décadas de 50 e 60.

Em 1962, Yoná rodou o Brasil com as peças O Amor é Rosa Bombom e Society em Baby-doll. Durante a turnê, conheceu Mendes na Bahia e decidiu ficar em Salvador. No período, tornou-se estrela do Cinema Novo ao protagonizar a obra-prima de Glauber, em elenco que contava ainda com Othon Bastos, Maurício do Valle (1928-1994) e Geraldo Del Rey (1930-1993). 

Em Deus e o Diabo na Terra do Sol, ela interpreta Rosa, mulher do trabalhador rural Manoel (Del Rey), que foge de casa, no sertão nordestino, depois de matar o patrão. Em depoimento ao projeto Memória Globo, a atriz comentou o reconhecimento alcançado pelo longa-metragem de Glauber Rocha: “Eu não estava engajada em nada, não consegui perceber a grandeza daquela obra, não consegui perceber o significado. Também ninguém esperava que fosse o que foi”.

Yoná voltou ao Rio ainda em 1964. Foi uma das primeiras mocinhas da então jovem TV Globo, integrando o elenco pioneiro contratado pela emissora, recém-inaugurada. Em 1966, formou com o galã Carlos Alberto (1925-2007) um dos mais famosos pares românticos da televisão brasileira, na novela Eu Compro Esta Mulher, de Glória Magadan. O casal da ficção acabou junto na vida real.

Em 1970, Yoná e Carlos Alberto trocaram a Globo pela TV Tupi e foram morar em São Paulo. Com o fim do casamento, ele seguiu na emissora, enquanto Yoná retornou à TV Globo em 1972, quando atuou como a vilã Nara em Uma Rosa Com Amor, novela de Vicente Sesso, formando triângulo amoroso com Paulo Goulart (1933-2014) e Marília Pêra.

Em 1985, encenou a famosa Roque Santeiro, de Dias Gomes e direção de Aguinaldo Silva. Na novela, interpretou a dona da boate Matilde.

 

O sucesso da personagem foi tanto que Yoná, aos 50 anos, recebeu convite para posar nua para a revista Playboy. No projeto Memória Globo, ela declarou: “Foi uma coisa espantosa para as pessoas, mas eu já sabia que eu tinha perna há muito tempo”.

Ainda em 1985, estrelou Grande Sertão: Veredas, minissérie adaptada da obra de Guimarães Rosa. Dois anos depois, participou da novela O Outro (1987), de Aguinaldo Silva. Nos anos 1990 e 2000, a atriz continuou trabalhando em novelas de sucesso, como Despedida de Solteiro (1992) e Senhora do Destino (2004). 

Em 2008, participou de Negócio da China, de Miguel Falabella, e, no ano seguinte, Cama de Gato, de Thelma Guedes e Duca Rachid. Fez também participação na série Tapas & Beijos, com Fernanda Torres e Andréa Beltrão. A última participação de Yoná Magalhães em novelas ocorreu em 2013, em Sangue Bom, também na Globo, quando viveu a socialite decadente Glória Pais.

Nas redes sociais, atores e diretores prestaram homenagens. “A telinha fica mais triste sem ela”, disse a novelista Glória Perez. Aguinaldo Silva declarou que “o Brasil está de luto”. “Que tristeza. Tive a honra de dirigi-la”, lembrou o ator José de Abreu.

O governador do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), se pronunciou por meio de nota. Segundo ele, “Yoná Magalhães viveu personagens com as várias caras do Brasil, divertindo e emocionando a todos nós”. “Uma atriz que sempre nos brindou com talento e espontaneidade. Deixará saudades”, disse Pezão. 

A atriz Tássia Camargo lamentou: “Hoje é um dia triste. Vai-se mais uma grande amiga e atriz. Yoná Magalhães, uma amiga ímpar”. 

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