Morre a atriz Lynn Redgrave

Embora excelente, ela viveu sempre à sombra da irmã estrela, Vanessa

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2010 | 00h00

Descendente de uma família de linhagem do teatro e cinema ingleses, Lynn Redgrave morreu domingo em sua casa, em Connecticut, nos EUA. Tinha 67 anos e há sete combatia um câncer de mama, que acabou por vitimá-la. Lynn era filha de Michael Redgrave e irmã de Vanessa Redgrave. Sua fama nunca se comparou à da irmã e ela até deu uma parada com a carreira cinematográfica para se dedicar ao teatro, mas Lynn tem interpretações inesquecíveis, em filmes que marcaram época.

Nos anos 1960, ela foi indicada para o Oscar por Georgy Girl, que no Brasil se chamou Georgy, a Feiticeira. O filme de Silvio Narizzano é sobre essa garota não muito bonita, assediada por homem casado (James Mason) que quer fazer dela sua amante. Ela tem um pretendente jovem na figura de Alan Bates. Ambos marcam de se casar no cartório e, numa cena famosa, o diretor acompanha o homem que perambula por Londres, vivendo seus últimos momentos de liberdade (e até pensando se não deve fugir ao comprometimento).

E 1966 e o cinema inglês ainda vivia o impacto do movimento de renovação - o free cinema - que se instalara no país, sob o efeito da verdadeira revolução técnica e estética que a nouvelle vague iniciara na vizinha França. Só que o free cinema teve uma origem particular e foi, em boa parte, inspirado pelo jovens "angry men", os dramaturgos zangados que precederam a revolução do cinema com outra no teatro, na segunda metade dos anos 1950. Narizzano não era exatamente um free cineasta, mas incorpora bossas e técnicas narrativas do movimento. Ele havia vindo da TV e seguiu uma carreira errática - fez depois o faroeste Duas Pátrias para Um Bandido, com Terence Stamp, influenciado pelos spaghetti westerns de Sergio Leone.

Todo o elenco de Georgy era ótimo, mas Lynn, na pele da protagonista, era a feiosa cheia de charme, uma personagem que ia se tornando frequente no cinema inglês (também com Rita Tushingham). Só para constar, Georgy tinha uma companheira de quarto que era uma peste e o papel ajudou a projetar a jovem Charlotte Rampling. O triste, nesta história toda, é que Lynn, muito ligada a Vanessa, morre pouco mais de um ano depois da morte da sobrinha, Natasha Richardson, e apenas um mês depois da morte do irmão, Corin Redgrave. Para Vanessa não deve estar sendo fácil administrar tantas perdas.

Corin era o cérebro da família, Vanessa, a estrela e Lynn, por melhor que fosse, e era, viveu à sombra. Porta-voz dos Vigilantes do Peso - sempre teve problemas com a silhueta -, ela participou de episódios em muitas séries na TV norte-americana (Law & Order, Desperate Housewives, etc.). No cinema, já madura, brilhou como a governanta do diretor James Whale em Deuses e Monstros, de Bill Condon, que lhe valeu nova indicação para o Oscar (como coadjuvante). Lynn Redgrave relatou sua luta contra o câncer num livro escrito em parceria com sua filha, Annabel Clark.

REGISTROS

As imagens de uma vida

Início

Aos 22 anos, em 1966, no filme Georgy, a Feiticeira, que virou sensação na época.

Família

Com Vanessa Redgrave; sempre com problemas de peso, Lynn viveu à sombra da irmã.

Maturidade

Como a governanta de Deuses e Monstros, o papel da sua maturidade como atriz e mulher.

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