Morgan estreia na CNN

No lugar de Larry King, polêmico britânico entrevista hoje Oprah Winfrey

Jacob Bernstein, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2011 | 00h00

THE NEW YORK TIMES

Se você está prestes a herdar o horário das 21 horas de um monstro dos noticiários, tem de ser durão. Veja Piers Morgan. Ele nem estreou na CNN e já ouviu razões pelas quais não deveria estar lá como substituto de Larry King: ele é britânico e nunca houve um apresentador britânico na faixa nobre da TV americana desde os tempos de David Frost. A fama de Morgan, nos EUA, vem de sua vitória no reality Celebrity Apprentice (O Aprendiz Celebridade, com Donald Trump) e da participação como jurado da competição America"s Got Talent - nenhum dos dois o fez ganhar pontos em jornalismo.

Ele pode ser malvado e os apresentadores de talk show precisam ser amáveis como Ellen Degeneres, Jay Leno e Rosie O"Donnell. Ele é menos importante do que os concorrentes e sua mais notória entrevista, com o ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown, se deu em um cenário que lembrava o do programa Who Wants To Be a Millionaire? Sabe o que Morgan diz destas acusações? "Culpado!"

"Esta é a ideia", fala o apresentador, em um hotel de Manhattan. "Sinto que toda televisão é um teatro, seja um show de talentos ou um programa de entrevistas. As luzes diminuem, as cortinas se abrem e você tem de pensar como o jogo vai se desenrolar."

Então, quem se importa se ele fez uma reportagem sobre a derrocada de Las Vegas que incluía seu casamento falso com Paris Hilton? Ou se, como editor do Daily Mirror, ele fez piadas sobre dormir com mulheres como a Princesa Diana e a top Naomi Campbell?

"Quero que meu programa seja divertido", fala. "As pessoas desprovidas de humor pensam que noticiário é quando veem gente morrendo. E não é. Notícias aparecem de maneiras diferentes. Algumas são sobre desastres e tragédias, outras são inspiradoras e animadoras. Algumas vêm na forma simplesmente do velho e bom entretenimento."

Com esta finalidade, a primeira semana de Morgan no ar traz convidados que vão falar desde política (a ex-secretária de Estado dos EUA Condoleezza Rice) a cultura pop (o ator George Clooney, o humorista Rick Gervais e o radialista Howard Stern). E há a entrevista com a apresentadora Oprah Winfrey, que já classificou a hora que passou com Morgan como uma das mais difíceis entrevistas que encarou em 20 anos.

"Oprah saiu e disse que teve de tomar um longo banho quente e dois Anacin (remédio para dor de cabeça)", conta Morgan, com um grande sorriso. "Esta foi a melhor propaganda que eu poderia ter. E não foi que ela não gostou da entrevista. É que foi exaustivo para ela. Oprah sentiu como se tivesse de estar em seu próprio show e, como resultado, me deu uma ótima entrevista."

Assim é Piers Morgan: convencido, mas charmoso o suficiente para trabalhar isso a seu favor.

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