Moradores lutam para recuperar Praça Roosevelt

Desde o início da década de 60,discutia-se um plano de urbanização para a área hoje chamada dePraça Roosevelt, que abrigava uma feira livre e os moradoreslocais reivindicavam um espaço verde na cidade que já cresciadesordenadamente. Em 1967, uma reportagem do jornal O Estado deS. Paulo anuncia que "o governo já tem pronto um plano deurbanização para a praça". O projeto havia sido encomendado peloentão prefeito Faria Lima e previa galerias de arte e uma grandeárea verde no local.O prefeito Faria Lima morreu, as obras atrasaram. No dia25 de janeiro de 1970, o ex-presidente Médici vem a São Paulo, aconvite do então prefeito "biônico" Paulo Maluf especialmentepara participar da solenidade de inauguração da Praça Roosevelt.No entanto, dois dias depois, o Estado anuncia que a praçaserá "fechada novamente para consertar o malfeito e completar oque não foi terminado. As galerias estão cheias de goteiras, nãohá vegetação, nem iluminação." Seis meses, uma outra reportagemdenuncia que "a praça continua a ser um fantasma de concreto".Nos meses seguintes, as denúncias contra um "conceitoarquitetônico de praça" no qual a área verde e o espaço deencontro foram substituídos pelo estacionamento e pelosupermercado não cessam na impresa. "A Roosevelt, sepultada" é otítulo da reportagem do Estado em janeiro de 1974. "PraçaRoosevelt: 4 anos de vida, 4 anos de decadência", anuncia ojornal Última Hora em janeiro de 1975.Em 1995, a imprensa anuncia: "Comunidade tenta recuperarPraça Roosevelt". Dois anos depois, a atriz Dulce Muniz reabreum dos teatros da praça em parceria com Dema de Francisco eRoberto Asca, batizando-o de Studio 184, que ocupa uma das salasdo antigo Cine Arte Bijou. A outra abriga o Teatro RecriarteBijou. "Os proprietários são os mesmos do Cine Bijou e merecemaplausos. Mesmo com dificuldades financeiras, recusaram ofertasde igrejas evangélicas", diz Dulce."No início foi mais difícil, estávamos sós, a praçadestruída. Aos poucos os outros teatros foram chegando. ORecriarte Bijou, o pessoal dos Satyros, que se tornam bonsparceiros do Studio 184 e, ano passado, a turma do Teatro X. Apraça abriga ainda a sede da Cooperativa Paulista de Teatro e,por isso, durante toda a tarde, muitos atores circulam poraqui." Mais do que a união com os parceiros artísticos, Dulcebuscou a união com os moradores locais. "Passei a fazer parteda diretoria da Ação Local cuja presidente é Nair Fiorot, umamulher muito ativa, que vem trabalhando em parceria com váriosórgãos públicos. Muita coisa já mudou e muitas outras melhoriasestão em andamento", diz Dulce.É para mudar essa longa história de decadência que lutamagora os integrantes da Ação Local da Praça Roosevelt, ligada àAssociação Viva o Centro. Nada de projetos faraônicos, mas simação de formiguinha, tentando melhorar o local passo a passo. "Há muito ainda porfazer, mas depois de 13 anos de lutas e brigas. Entre eles, oimportante apoio da subprefeitura Sé, principalmente dosubprefeito Sérgio Torrecillas que tem ouvido nossareivindicações", diz Nair, a presidente daAção Local.

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