Monumento à Independência será centro cultural

Durante muitos anos, todas as atenções estiveram voltadas para o lado de fora. Não é à toa. Inaugurado em 1922 para as comemorações do centenário da Independência, o Monumento à Independência, no Ipiranga, zona sul de São Paulo, tornou-se uma das principais referências históricas do País. A partir de setembro, porém, o monumento também será conhecido por abrigar um espaço cultural da Prefeitura, que terá como pano de fundo a própria História do Brasil. O local, montado pelo Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura (DPH), deve ser aberto ao público em 7 de setembro, nas comemorações da Independência. O novo centro está sendo construído dentro do pedestal do monumento, no Parque da Independência. Serão dois pavimentos, num total de 600 metros quadrados para exposições e atividades culturais, cujos temas centrais serão história e cultura brasileiras. Quando estiver pronto, o conjunto também abrigará a Capela Imperial, onde estão os restos mortais de Dom Pedro I e sua esposa, a imperatriz Leopoldina. A obra começou no fim de 1999. Na ocasião, a Prefeitura foi obrigada pela Justiça a executar um plano de recuperação de todo o monumento, que durante anos sofreu a ação do tempo e do vandalismo. "Desde que desenvolvemos o projeto de restauro sentimos que o interior tinha de ser aberto à visitação pública", diz arquiteta Cássia Magaldi, diretora da Divisão de Preservação do DPH. Após o sinal verde da Secretaria Municipal da Cultura, o DPH começou o restauro do monumento e a construção do novo centro. O primeiro trabalho foi a retirada de cerca de 60 caminhões de terra. Segundo Cássia, a abertura do espaço no "oco" do pedestal não compromete a estrutura da obra. "É muito interessante você conhecer um monumento desse porte por dentro", acrescenta. Na entrada, por exemplo, o público vai deparar-se com o avesso do painel de bronze instalado na frente do monumento, que retrata a famosa tela de Pedro Américo sobre a Proclamação da Independência. Além disso, parte da iluminação será natural, graças à clarabóia no alto da estrutura de bronze.Exposições - A diretora do DPH, Leila Regina Diegoli, afirma que, apesar da ligação com a História do Brasil, a proposta da Prefeitura não é confundir as atividades com as do vizinho Museu da Independência. "Nossa preocupação não é criar um novo espaço museológico e sim valorizar esse patrimônio histórico, com atividades que atraiam o público", explica. "Estamos pensando em mostras temáticas que coloquem em discussão a nossa história, que só conhecemos dos livros", acrescenta. "Precisamos incentivar polêmicas sobre os problemas sociais que vivemos hoje." O DPH e a Secretaria da Cultura ainda não fecharam calendário de atividades, inclusive para a inauguração. Entre os planos, está um contato mais estreito com o Museu da Independência. "Não podemos esquecer que cerca de 100 mil pessoas passam pelo monumento", diz a arquiteta.

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