Montagem nacional tem figurino inspirado em Dior

Paula Capovilla, como Evita, vestirá roupas idênticas às originais

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2011 | 00h00

Jorge Takla sonha há vários anos montar Evita. "E só consegui agora depois de responder às inúmeras exigências feitas pelos produtores", conta o diretor, que se esmerou na montagem nacional.

O figurino de Evita, por exemplo, vivida por Paula Capovilla, foi inteiramente inspirado no utilizado pela própria Eva Perón, criação de Christian Dior. O mesmo cuidado teve o figurinista Fabio Namatame para criar as 350 peças de roupa.

Takla conta que todos os detalhes de sua produção tinham de ser repassados aos detentores dos direitos do musical. "Eles queriam saber até sobre como seria o trabalho executado pelas peruqueiras", relembra.

A escolha do elenco também foi supervisionada pelos ingleses, que conferiram a potencialidade e a musicalidade especialmente dos protagonistas. "A montagem exige cantoras que consigam atingir um grave e um agudo que poucas conseguem", observa. "Enviei um DVD com imagens da atividade de cada um e os testes dos atores. Foi assim que definimos o elenco de 45 atores, cantores e bailarinos, além dos 30 técnicos e da orquestra com 20 músicos."

Famoso pela direção e produção de grandes musicais, como My Fair Lady, West Side Story e O Rei e Eu, Takla acredita que esse será seu trabalho mais minimalista. "O cenário não será rebuscado, pois quero exibir cenas históricas da própria Evita, selecionadas depois de uma grande pesquisa que fizemos em Buenos Aires."

A trajetória de María Eva Duarte de Perón (1919-1952) fascina o diretor desde sua infância. "Quando eu tinha 6 ou 7 anos, vivia com minha família no Líbano e meu pai, que era diplomata, tinha várias fotos de personalidades mundiais na parede de seu escritório. Eu olhava todas, mas era o de Evita que me hipnotizava, mesmo sem saber quem era aquela mulher."

Takla acredita que a força do musical está em ressaltar o tom épico que marcou a vida de Evita, que tinha consciência da existência autônoma de sua personagem, quase transformada em uma segunda personalidade. "Evita é um musical complexo, inteiramente cantado, sem nenhuma palavra falada. É como uma ópera e essa é a concepção que vou adotar", comenta. "Será uma montagem com cunho épico, pois acompanha a trágica trajetória de uma das mulheres mais poderosas do século 20."

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