João Quesado/Divulgação
João Quesado/Divulgação

Monólogo marca estreia de grupo teatral de Bete Coelho

'O Terceiro Sinal' é baseado em livro escrito pelo jornalista e dramaturgo Otavio Frias Filho

Ana Katia, da Agência Estado

22 Julho 2010 | 11h06

SÃO PAULO - A atriz e diretora Bete Coelho anuncia a consolidação de sua própria companhia de teatro, a BR 116, com a estreia nesta sexta, 23, do monólogo "O Terceiro Sinal", versão para o teatro do ensaio homônimo publicado em 2003 no livro "Queda Livre", escrito pelo jornalista e dramaturgo Otavio Frias Filho. A direção é do ator Ricardo Bittencourt, parceiro teatral de Bete Coelho desde "O Homem da Tarja Preta", do psicanalista Contardo Calligaris, dirigido por ela em 2009.

 

"A BR 116 é uma estrada maravilhosa. É muito longa e passa por vários Estados, principalmente passa por Minas, onde nasci, pela Bahia, de onde o Ricardo é, pelo Rio, enfim, é uma longa estrada que esperamos ter, viajar, fazendo teatro, que é o que mais amamos fazer", afirma a atriz. "O B é de Bete, e o R é de Ricardo", completa o ator. "A companhia começou com uma relação inversa, em que eu era o ator que fazia o monólogo ("O Homem da Tarja Preta") e a Bete dirigia. Depois que Bete Coelho entrou na minha vida, tudo ficou muito melhor", diz ele.

 

A parceria é igualmente festejada pela atriz. "Eu e Ricardo temos um projeto em comum, que é fazer o mesmo tipo de teatro. A gente se complementa muito no pensamento teatral e na vida mesmo. O Ricardo é adorável, ele tem um brilho, é denso, ativo, um homem bacana, interessante, charmoso. É uma parceria que eu espero que dure muito, a não saber que ele me abandone", diz.

 

"O Terceiro Sinal" terá apenas três apresentações, entre 23 e 25 de julho, no Teatro Eva Herz, em São Paulo. "Bete tem essa peça na cabeça há muito tempo, é um sonho dela, um desejo dela. Estamos fazendo sem patrocínio, como um hino de amor nosso ao teatro e uma forma de a gente estar vivo, atuando, enquanto companhia, enquanto realizadores", diz Ricardo.

 

O trabalho é uma metalinguagem sobre o teatro. "O autor tem uma experiência como ator em um papel de jornalista, para escrever uma reportagem. E devolve tudo isso para o teatro. O que importa aqui é dissecar o teatro, o processo do ator, a feitura do teatro", considera a atriz. O relato de Frias em "O Terceiro Sinal" se refere à experiência que ele teve como ator no Teatro Oficina, no espetáculo "Boca de Ouro", dirigido por José Celso Martinez Corrêa em 2000.

 

Nova montagem - Os planos da trupe BR 116 para esse ano incluem a montagem do texto "Cartas de Amor para Stalin", do espanhol Juan Mayorga, em fase de pré-produção. Dessa vez, Bete e Ricardo estarão juntos no palco, dirigidos por Paulo Dourado. "Somos os diretores de produção também, aí é que está a dor e a delícia de fazer uma companhia. Claro que a gente trabalha com produtores executivos, mas formar a companhia é para justamente fazer o teatro que a gente acredita, da forma que a gente acredita, e com o conteúdo que a gente acredita. E para isso você tem de se bancar", diz Ricardo. Segundo a atriz, também há planos do retorno aos palcos de "O Homem da Tarja Preta". "Temos um projeto para fazer a peça na periferia de SP. Seria maravilhoso, imagine discutir sexo, sexo masculino na periferia", diz ela.

 

O Terceiro Sinal - Teatro Eva Herz da Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073). Tel. (11) 3170-4059. De 23 a 25 de julho. Sexta e sábado, às 21h. Domingo, às 19h. Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia entrada)

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