Mônica Schoenacker expõe na Galeria São Paulo

Para chegar até a exposição de Mônica Schoenacker, que pode ser vista a partir de amanhã, na Galeria São Paulo, o espectador tem de subir uma rampa e entrar no mezanino, que a artista transformou em ambiente fechado, instalando uma cortina plástica. Essa foi a forma que Mônica, recém-chegada de Londres, inventou para mostrar seus trabalhos em um espaço expositivo tradicional: criando um ambiente doméstico para peças que reproduzem coisas do lar como rolo de macarrão, almofadas de curvim, tábua de passar.Mônica havia chamado a atenção com uma grande almofada que mostrou no Itaú Cultural, no ano passado. A peça hexagonal, um acolchoado colorido por processos de impressão, anunciava o jogo de combinações que caracterizam o conjunto que agora pode ser visto em São Paulo. A maioria de seus objetos, feitos principalmente quando estava fora do País, apresenta a forma familiar, aconchegante e pessoal dos elementos de uma casa. Sobre essas superfícies, como a tábua de passar roupa (devidamente pendurada atrás de uma porta) ou o rolo de macarrão Mônica aplica diferentes formas de impressão, matéria do mestrado feito no Royal College of Art, que cursou como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).Ela reproduz, dentro dessas "peças íntimas", que nem sempre respeitam a escala natural, paisagens externas, como pedestres cruzando uma avenida, uma vizinhança ou janelas de outras casas. Vistas a certa distância, as cenas lembram estampas coloridas, bordados ou papéis de paredes. É como se o mundo todo coubesse na casa de Mônica.Ela conta que durante o mestrado em Londres descobriu cursos tradicionais de corte e costura, no qual as inglesas passava o ano cuidando de detalhes da casa. Essa mesma preocupação com o acabamento e o aconchego está no centro dessa primeira individual da artista no circuito paulistano. O que, de certa forma, representa uma oposição à maioria dos novos artistas contemporâneos, que criam a partir da idéia do estranhamento. "Prefiro trabalhar com o ´agradamento´", observa a artista. Para ela, o mundo já tem "coisas estranhas o suficiente".No andar de baixo, a galeria apresenta um conjunto de 50 fotografias de Ricardo Cassolari. O prestigiado cabelereiro apresenta, também em sua primeira individual, imagens de diferentes naturezas, como retratos, auto-retratos e paisagens, selecionados pela curadora Andrea Pesek e pela dona da galeria, Regina Boni de uma coleção de 25 mil imagens. Delas, destacam-se as realizadas no ambiente que mais conhece, seu salão de beleza, com flagrantes de gente em frente do espelho com preocupações só vistas nesses lugares.Mônica Schoenacker. De segunda a sexta, das 10 às 20 horas; sábado, até as 19 horas. Galeria São Paulo. Rua Estados Unidos, 1.456, tel. 852-8855. Até 18/7.

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