Fabio Motta/ Estadão
Fabio Motta/ Estadão

Monica Bellucci, atriz levada ao limite

Estrela de Aconteceu em Saint-Tropez, ela fala de filmes, beleza e preconceito

LUIZ CARLOS MERTEN / RIO, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2013 | 02h08

Monica Bellucci fala "português um pouquinho". Há três meses e meio ela mora no Rio - e isso não quer dizer que tenha abandonado suas outras bases , a Itália, a França e a Inglaterra. Suas filhas, sim, viraram cariocas. "Você é capaz de pensar que elas são daqui", diz a mulher mais sexy do mundo, como a definiu a Vanity Fair espanhola. Monica está mais magra, sem perder as formas nem o brilho. "Após a gravidez eu permaneço redonda. Curto a maternidade, é uma coisa para a qual fui feita. Mas perder peso não é difícil. É uma fase, um processo. O corpo reage, os hormônios parecem retroceder, e tudo isso sem sacrifício."

Monica está no Rio, uma das suas cidades, como estrela do Festival Varilux do Cinema Francês. Veio mostrar a comédia que fez com Danièle Thompson, Aconteceu em Saint-Tropez. Você é capaz de sair do cinema sem entender direito o título, porque boa parte da ação, quase toda, se passa em Paris. Monica está elegantérrima. Levanta-se para que o repórter confira. E informa: "É Dolce Gabbana". Embora italiana, ela fala à francesa, acentuando o "a" final, Gabbaná. O segredo de sua fulgurante beleza? "É a curiosidade. Faço cinema para saber mais sobre as pessoas e o mundo, e isso me renova", diz.

Criada numa família tradicional, conservadora, Monica diz que, desde criança, sempre sonhou ser atriz. Por quê? "Como se a gente soubesse...", responde. "Fui criada com todo conforto, numa casa em que tínhamos de tudo, mas esse tudo me aborrecia. Sempre quis ser livre." A família não a reprimiu, pelo contrário, a apoiou. Começou como modelo, bem antes da explosão de Malena, de Giuseppe Tornatore. Vieram depois filmes como Irreversível, de Gaspar Noë, e A Paixão de Cristo, de Mel Gibson. Monica diz que esses filmes foram escolhas pessoais, mas os autores também a escolheram. "São papéis e personagens que me levaram ao limite, falando sobre o lado escuro das pessoas, e da vida em geral." Admite que são os filmes que gosta de fazer, pelo desafio que encerram, e o desafio maior é sempre consigo mesma.

Boas notas. "A beleza pode abrir muitas portas, mas ela também gera preconceito. Conheci isso desde a escola. As pessoas se surpreendiam ao ver minhas boas notas, como se, por ser bonita, tivesse de ser burra." O grande desafio nem é mostrar aos outros que tem talento -é provar, para si mesma, que pode ousar, e fazer. Está numa fase feliz. O repórter lhe diz que só recentemente descobriu, ou deu-se conta, de que o marido, Vincent Cassel, é filho de Jean-Pierre Cassel, que foi, no começo dos anos 1960, o ator-fetiche do comediógrafo da Nouvelle Vague, Philippe de Broca. "Talvez não quando jovem, mas, com o tempo, Vincent ficou cada vez mais parecido com o pai", ela analisa. Diz que compartilha tudo com o marido, mas é importante que cada um tenha sua vida. "Vivemos, até como artistas, em mundos separados."

O importante é que nunca, na vida nem na arte, se sentiu usada, tratada como objeto, nem na fase em que trabalhou como modelo - que ela define como uma preparação para se tornar atriz. "É a coisa da fotografia", explica. O próximo filme, ela fará com Emir Kusturica, na Sérvia. Depois, já tem engatilhada outra produção, na Itália. Para quem gosta tanto de iluminar aspectos sombrios da natureza humana, o que havia de tão atraente na história da rivalidade - e da disputa - entre dois irmãos, em Aconteceu em Saint-Tropez? "Filmo muito com homens e gosto quando diretoras me fazem ofertas. No caso de Danièle (Thompson), o que me atraiu foi o olhar dela sobre as coisas da vida. O mundo de Danièle é doce/amargo e a vida é assim. Nem sempre as coisas andam bem, mas quando andam é maravilhoso e nos dão uma sensação de plenitude."

Quase aos 50 - ela está com 48 anos -, Monica revela que a idade não a assusta. "Envelhecer é uma experiência incrível. Estou adorando. Você perde o frescor da juventude, mas também perde o medo, ao perceber que uma outra coisa emerge de você, e isso é muito interessante, se você souber desfrutar."

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