Mona Gadelha volta ao Ceará dos anos 70

Ednardo esteve em São Paulo na semana passada para celebrar os 30 anos do movimento Massafeira, organizado para dar maior visibilidade a uma leva de artistas cearenses na virada dos anos 1970 para os 80. Mona Gadelha era uma delas e, apesar de não ter alcançado o mesmo patamar de Fagner, não deixou de ter seu trabalho reconhecido. Curiosamente, a cantora volta ao repertório de seus conterrâneos mais famosos daquele período emblemático em seu quinto álbum, Praia Lírica - Um Tributo à Canção Cearense dos Anos 70.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2011 | 00h00

Muito bem recebido pelo público cearense no lançamento em Fortaleza, o CD - produzido por Mona e por Maira Sales - traz clássicos de Ednardo, Fagner, Belchior, Fausto Nilo, Caio Silvio, Rodger Rogério, Petrúcio Maia, como Paralelas, Flor da Paisagem, Terral, Astro Vagabundo, Noturno, Retrato Marrom. A Manga Rosa, Galos, Noites e Quintais...

Para quem viveu intensamente aquele período em que Fagner, Ednardo e Belchior despertaram maior interesse pelo que chamou aqui de "Pessoal do Ceará", são canções que a memória afetiva preserva tão bem no original que é difícil assimilar uma "releitura" à primeira audição sem fazer comparações. Afinal, é um risco que Mona corre ao mexer em canções tão marcantes lançadas por intérpretes tão fortes como Fagner, Ney Matogrosso, Vanusa, Jair Rodrigues, Amelinha, Ednardo. As versões atuais não têm a mesma garra, até porque a intenção não era mesmo fazer igual ao já feito. Em canções menos conhecidas, como Lupiscínica e La Condessa o risco de comparação é menor. Mas um tango como Retrato Marrom pede mais a dramaticidade de Ney do que uma voz nasalada em lentidão contemplativa.

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