Momix chega amanhã para nova temporada no Brasil

O Momix desembarca amanhã no aeroporto internacional do Rio de Janeiro com 10 bailarinos e 5 técnicos. Parece pouco para uma trupe que impressiona com sua plasticidade, suas imagens e seu ilusionismoe tem público garantido no Brasil. O grupo dá o primeiro passopara a turnê que começa na sexta-feira no Teatro Municipaldo Rio, percorrerá cinco capitais e encerra sua apresentações noPaís no dia 26. O espectador de São Paulo poderá conferir oespetáculo Opus Cactus entre os dias 18 e 21.A coreografia quer surpreender o público. Para isso odiretor e coreógrafo, Moses Pendleton, faz uso de muitas imagense ação. A inspiração para montar o espetáculo veio do deserto deSonora, nos Estados Unidos. No palco, a paisagem árida contrastacom plantas gigantes e animais, um conjunto que abre caminhopara a imaginação fluir. Para Pendleton, o cacto é um símbolodo deserto e no caso de Opus Cactus funciona como portal para ummundo que dá forma aos sonhos.A planta é a deixa para o Momix entrar em ação, mostrarsuas habilidades e uma técnica que mescla dança contemporâneacom acrobacias e movimentos aéreos. Para facilitar a execução dotrabalho, os produtores colocaram duas varas de 15 metrosatravessando os palcos do teatro para dar sustentação aosbailarinos. Outro aspecto da coreografia é a influência dediferentes culturas e etnias para compor os gestoseletrizantes.Opus Cactus segue o padrão multimídia de trabalhosanteriores. A iluminação e a trilha sonora são ousadas. Foramescolhidas músicas de aborígines australianos, canções típicasamericanas e som eletrônico de primeira, uma mistura eclética,feita por Pendleton propositalmente para dar a idéia de fusão dopresente com o passado criando o futuro.Todas as coreografias do Momix combinam criatividade esenso de humor. A ilusão é uma ferramenta que transporta oespectador para outra realidade, e as peças brincam com apercepção.História - Em 1980, Moses Pendleton saiu do Piloboluspara criar a própria companhia, que explora movimentosacrobáticos, dança, música, ilusionismo, jogos de luz e muitaação. No palco, a miscelânea de elementos está sempre presente,como uma marca do diretor. O próprio nome do grupo denuncia - as iniciais de seu criador com a palavra mix, que em inglês quer dizer mistura. Onome da companhia também é o título de um solo que Mosespreparou para os Jogos Olímpicos de Inverno, em 1980.Pendleton nasceu em Vermont e desde criança apreciaesportes, o que fica evidente em todas as coreografias do grupo.Em 1967 ganhou uma competição de esqui no Vermont StateCross-Country Ski Championship. Em 1971, o diretor formou-se emliteratura inglesa pelo Darmouth College, mesmo ano no qualfundou o Pilobolus. Sua atuação é freqüente na mídia. Em seu currículoconstam a participação em vídeo de Julian Lennon, a atuação naexecução de um clipe do cantor Prince, a coreografia para ofilme Carmen, sob a direção de Lina Wertmüller, e para umaversão do Corcunda de Notre Dame, para a Broadway.Esse estilo de atuar com a forma pela forma équestionado por muitos críticos, mas conquistou platéia eadeptos.No Brasil, a maneira peculiar e a linguagem própriadesenvolvida pelo Momix foram consideradas "arrebatadoras"pelo grupo carioca Intrépida Trupe. "Assistimos pela primeiravez no fim dos anos 80 a uma dança acrobática, com muitosefeitos e imagens; era tudo o que queríamos ver naquela época",diz Dani Lima, uma das fundadoras da companhia. "Os bailarinossão ótimos, possuem excelente técnica e o que mais impressiona éque sobrevivem apenas com os espetáculos, sem subsídio dogoverno."O Momix é referência para artistas que lidam com essajunção de linguagens. Um exemplo é a companhia de Deborah Colker no que diz respeito aos recursos acrobáticos. Em 2000 aelétrica Deborah, em sua estréia em Nova York, no Joyce Theatre,fez um programa duplo: apresentou sua coreografia "Rota", de1997, e dançou ao lado do Momix.Agenda - Um dos projetos de Pendleton para este anoé dar continuidade ao seu livro. Segundo ele, entre uma turnê eoutra, quer encontrar tempo para ouvir fitas cassetes comdepoimentos sobre os 22 anos da companhia. Além disso, o grupotrabalha duro para colocar nos palcos, no ano que vem, uma novacoreografia.

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