Momentos únicos

O estadao.com.br perguntou a 650 fotógrafos: se você fosse passar 10 anos sozinho em Marte, qual imagem levaria?

Gabriela Allegro e Camila Matos, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2011 | 00h00

O estadão.com.br perguntou para mais de 650 fotojornalistas do mundo inteiro: se você fosse passar 10 anos em Marte e pudesse levar uma única imagem, qual seria? Por quê?

A conversa com os fotógrafos durou dois meses. Não estava em jogo qualquer valor estético. A única exigência era que representasse uma conexão com a Terra durante o longo exílio. Apesar disso - ou por isso mesmo - poucos responderam de imediato: o tempo para reflexão e diálogo interno foi fundamental para a maioria dos fotógrafos.

As 110 imagens publicadas têm uma coisa em comum: funcionam como acesso direto para o que há de melhor dentro de cada um sob os mais diversos aspectos: o amor; o laço familiar e o calor da casa; a coragem, o erotismo; os animais e belezas naturais da Terra. Elas contam histórias de altruísmo, amizade, paz e esperança, passeiam pelo onírico, mas também tocam nos rostos sérios da morte e da dor.

Reencontro. A maioria das fotos selecionadas foram clicadas pelos próprios fotógrafos. Segundo Thomas Hurst, que escolheu enviar uma imagem que fez do encontro entre pai e filho em Ruanda, Feita em 1996, a imagem de Hurst mostra o reencontro entre pai e filho em uma vila de Ruanda. Separados pelo caos da fuga para o Zaire dois anos antes, ambos acreditavam que o outro havia morrido.

"É uma pergunta difícil de responder, porque cada fase da vida determina a escolha de uma imagem", comenta Hurst. "Estou inclinado a considerar outra imagem, que evoque um sentimento de alegria e amor, sem necessariamente trazer com ela a saudade que uma foto de família traria. Eu levaria, portanto, uma das fotografias que fiz, porque elas me lembram de todo um pedaço da minha vida. É como uma velha canção que remete aos dias da escola, ou como um perfume que traz de volta uma pessoa que algum dia conhecemos. Esses lembretes também remetem a um momento na vida do outro. Minhas fotografias fazer isso por mim. Eu levaria esta imagem que amo e aprecio pelo momento que representou e também porque envia meus pensamentos para tempos há muito idos - não todos bons - mas que estimo e nunca mudaria."

Filhos, esposas e maridos desses profissionais habituados a passar longos períodos fora de casa foram as conexões mais presentes. "Depois de todas as imagens fantásticas que vi, e de passar a maior parte da vida tentando fazer fotos complexas, se eu fosse para outro planeta gostaria de olhar para a imagem do meu filho de 7 anos, Elia, em Yosemite, na Califórnia", observou Wendy Sue Lamm. "Eu precisaria de algo para lembrar do amor familiar, da beleza da Terra e ter um motivo para voltar para casa."

Preferências. Ícones do fotojornalismo internacional formaram outro grupo de imagens. Eugene Smith (1918- 1978) foi o único profissional que teve duas fotos diferentes selecionadas por alguns de seus colegas: Caminho para o Jardim do Paraíso (1946), escolhida por Walt Stricklin e David Burnett, e Mãe de Miramata, por Ian Berry. Mãe Migrante (1936), de Dorothea Lange, também foi a opção de Ambroise Tézenas e Matt Black.

"Eugene Smith foi inspiração da minha primeira foto", confessa Walt Stricklin, editor de fotografia do jornal The Birmingham News. "Esta imagem pode tirá-lo da realidade e levá-lo para a fantasia e vice-versa. Eu amo todo o simbolismo: a busca pela verdade, ir da escuridão para a luz, o nascimento de novas ideias, a juventude com a vida pela frente. Ela faz comigo o que todas as imagens boas do gênero deveria fazer: permite que eu coloque o meu próprio simbolismo, e esse simbolismo muda de acordo com o meu humor e minha necessidade. Ter esta foto comigo por 10 anos em Marte me permitiria ter muitas fotos em uma."

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