Molière ridiculariza a nobreza em "Dandin"

Molière não seguiu o ofício dos pais e avós tapeceiros, mas como dramaturgo soube tramar como ninguém. O Avarento, O Burguês Fidalgo e George Dandin - O Marido Confundido são algumas de suas obras-primas. A última, embora quase desconhecida no Brasil, transformou-se no desafio da Cia. Pão & Água, com sede na cidade de Campinas. A companhia comemora 20 anos de atividades profissionais com uma temporada popular de Dandin, no Teatro Alfredo Mesquita, de hoje a 29 de abril. Em três atos, a peça retrata as aventuras de um burguês rico, tentando provar aos sogros aristocratas as traições de sua mulher."A montagem do texto optou por manter uma linguagem apoiada no tu e vós, o que por um lado sofistica a musicalidade da peça e, por outro, cria um desafio para o ator", explica o diretor convidado da companhia, Christian Schlosser. "Para tirar a ´batata quente´ da boca dos atores, tivemos de mastigar muito as palavras até extrair comicidade do próprio texto, sem perder a sonoridade que ele contém", completa. A tradução do francês ficou a cargo do ator Dirceu Magri.Dandin é um camponês rico, marido de Angélique, filha dos fidalgos Senhor e Senhora de Sotenville. Por imprudência de Lubin, um criado trapalhão, Dandin é alertado que sua mulher o trai com Clitandre. Durante os três atos, são repetidas as tentativas de Dandin em desmascarar a mulher na presença dos pais dela. Mas, amparada pela esperta criada Claudine, Angélique safa-se de ser pega em flagrante e, com isso, de comprovar sua infidelidade. George Dandin estreou em Versalhes, em julho de 1668, para o rei, sendo depois apresentada ao público parisiense, no teatro do Palácio Real, no mesmo ano. Como muitas de suas comédias, conheceu o insucesso e uma chuva de críticas feitas à época. Com essa peça, Molière parece tecer uma crítica feroz à hipocrisia da nobreza, sustentada sobre uma falsa moral. Talvez tenha sido esse um dos motivos da contrapartida crítica feita pela nobreza da época contra o maior comediógrafo francês. No entanto, apesar da coleção de reveses e insucessos que Molière acumulou durante a carreira, foi grande protegido do rei Luís XIV na maturidade como artista.

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