Módulo barroco tem nova curadora

A nova curadora do módulo barroco da Mostra do Redescobrimento, Mari Marino, é dona de uma das maiores coleções de arte sacra do País. Possui cerca de 3 mil peças do final do século 16 até o século 18. Mari é uma das três filhas do colecionador João Marino, morto em 29 de janeiro de 1997 no Hospital Sírio-Libanês, de câncer.A museóloga Mari Marino, na época, já integrava o conselho artístico do Museu da Casa Brasileira. Após a morte do pai, assumiu a posição dele como diretora do Museu de Arte Sacra de São Paulo. Ao morrer, João Marino tinha 73 anos e integrava os conselhos de vários museus da cidade, entre eles o Masp e o Museu da Casa Brasileira. Em sua coleção, há peças importantes, como uma Nossa Senhora das Dores de Aleijadinho e uma Nossa Senhora dos Prazeres de frei Agostinho de Jesus.Mari Marino assumiu na semana passada o cargo de curadora do módulo Arte Barroca da Mostra do Redescobrimento em substituição à historiadora Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, uma das maiores especialistas na arte do período no Brasil. Myriam afastou-se da mostra dizendo sentir-se "desconfortável" na condução da curadoria.A curadora não estava satisfeita com os problemas que resultaram no afastamento de empresas que lhe prestavam assessoria na exposição, como por exemplo a empacotadora de peças Art Packing Ltda. e o ateliê de restauro de Beatriz Coelho ex-diretora do Centro de Conservação da Universidade de Minas Gerais (Cecor). Os problemas com os serviços básicos expuseram as peças e causaram danos a cerca de 30 imagens barrocas.Segundo a reportagem apurou, foi a divulgação de informações sobre o estado das obras pela imprensa que levou a coordenadora-geral da mostra, Suzana Sassoun, a desligar da exposição o ateliê de restauro da conservadora Beatriz Coelho.Inicialmente, Mari Marino, a nova curadora do módulo barroco, não quis falar com a imprensa. Segundo sua secretária no Museu de Arte Sacra, Mari recebera recomendação da direção da Mostra do Redescobrimento para não dar declarações, por causa da grande carga de trabalho que deverá enfrentar nos próximos dias. Foi autorizada a falar hoje mas não retornou a ligação da reportagem.O módulo do barroco foi uma das grandes atrações da mostra, que ficou durante quatro meses em São Paulo e chega ao Museu Nacional de Belas Artes, no Rio, no dia 30 de outubro. Ontem, a Carta de Pero Vaz de Caminha foi apresentada no Salão Negro do Congresso Nacional, em Brasília, onde fica até o dia 15. No dia 17, ela estará no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.Além da curadoria de Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, a exposição do barroco teve cenografia de Bia Lessa, que expôs as esculturas, entre elas peças do Aleijadinho e Manuel Inácio da Costa, em meio a troncos de árvores e flores de papel.O módulo apresentou, segundo disse Myriam na época da inauguração da mostra, a correlação entre o projeto colonial de dominação e a atuação da Igreja, traçando um paralelo "entre a fé e a conquista". Além de Manuel Inácio da Costa e do Aleijadinho, há obras de extrema importância na mostra, como uma imagem de Nossa Senhora do Rosário do século 18, de autoria de Mestre de Sergipe, e o Oratório Rococó do Museu do Ouro de Belo Horizonte.Por questões de segurança, a direção da Associação Brasil 500 Anos não informa o valor do seguro das obras, mas o preço-base para o seguro de um Aleijadinho pode chegar a US$ 3 milhões, segundo o colecionador Renato Whitaker.Myriam Ribeiro disse, na semana passada, que não está se afastando do trabalho que mantém em colaboração com uma equipe da Fundação Guggenheim. A equipe prepara uma mostra de arte barroca brasileira para os Museus Guggenheim de Nova York e Bilbao, nos próximos dois anos.A primeira etapa internacional da itinerância da Mostra do Redescobrimento inicia-se em outubro, em Lisboa, na Fundação Gulbenkian. Serão levados para Portugal os módulos Arqueologia e Arte Contemporânea. O módulo barroco terá sua primeira exposição internacional no Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires, em abril do ano que vem.

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