Modelos magérrimas ainda ditam moda nos desfiles de NY

Magreza não impressiona consumidores, que continuam comprando roupas que modelos usam nas passarelas

Martinne Geller, da Reuters,

12 de setembro de 2007 | 14h08

Nos primeiros desfiles de moda dos EUA desde que se começou a tentar enfrentar o problema das modelos magérrimas, a questão parece ter sido descartada, como se fosse da temporada passada, e as modelos ainda mantêm a mesma aparência. Antes dos desfiles do outono, em fevereiro, o Conselho de Estilistas de Moda dos Estados Unidos divulgou diretrizes ensinando às modelos sobre nutrição, proibindo a presença de menores de 16 anos nas passarelas e oferecendo comida saudável no backstage, onde o álcool e o cigarro também foram proibidos.Mas a questão não gerou muita polêmica fora das passarelas, e os consumidores não rejeitaram os estilistas que usam modelos ultramagras, dizem especialistas. "É uma pena. A questão foi tão comentada na temporada passada, e agora ninguém parece ter notado que as modelos não ganharam um grama de peso", disse David A. Wolfe, diretor criativo do The Doneger Group, que prevê tendências.E as dobras elaboradas e mangas bufantes presentes em muitas das criações da primavera ajudaram a manter o problema escondido na Semana de Moda de Nova York, que se encerrou nesta quarta-feira, 12.   Para Wolfe, ninguém está falando sobre o assunto, em parte porque as tendências mais recentes da moda escondem o corpo. "As bainhas mais longas estão escondendo as pernas-palito, e as saias bufantes ocultam os quadris ossudos", disse ele.As modelos são magras há muito tempo, mas seu peso passou a gerar polêmica depois da morte de duas modelos, a brasileira Ana Carolina Reston e a uruguaia Luisel Ramos, vítimas de anorexia no ano passado. Críticos disseram que a obsessão da moda por corpos muito magros leva as mulheres jovens a rejeitar seus corpos.As maisons de Milão reagiram proibindo a presença de modelos ultramagras e menores de idade. Mas Milão é o único dos quatro principais centros de moda mundiais - os outros são Nova York, Londres e Paris - a impor uma proibição.Para Debra Bass, editora de moda do St. Louis Post-Dispatch, o mercado favorece as modelos magras. "Enquanto não se tornar problema financeiro, ou seja, que as pessoas parem de comprar as roupas das empresas em função das imagens pouco atraentes que elas mostram, o problema não vai afetá-las realmente."A modelo de 17 Hannah Davis, das Ilhas Virgens, disse que os estilistas parecem preferir as modelos mais magras. "Basicamente, eles querem um cabide percorrendo a passarela", disse ela no backstage do desfile de Tracy Reese. "Querem uma garota que não tenha curvas."

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