Moda na passarela: saiba decifrar os looks para não tropeçar

A modelo magérrima bota o pé napassarela, as luzes da sala de desfile se acendem comestardalhaço e logo surge a pergunta. Mas é um vestido? Umcasaco? Ou é um mantô? Provavelmente, nenhum dos três. Talvez,apenas uma "peça-conceito". Desfiles de moda profissionais, tais como os que acontecemno São Paulo Fashion Week, podem confundir os maisinexperientes e até causar repulsa nos mais descrentes. A verdade, no entanto, é que é preciso saber decifrar umdesfile de moda. "As pessoas dizem que roupa de passarela ninguém usa. E àsvezes não é para usar mesmo. É para chamar a atenção", explicaa veterana editora de moda Iesa Rodrigues. "Muitas pessoasficam inseguras, mas é preciso ter autoconfiança e bom senso." Segundo a especialista, cerca de 30 por cento das peçasexibidas em um desfile foram feitas apenas para aquela ocasião.São roupas que extrapolam o desejo do estilista para aquelacoleção. Ela cita como exemplo os casacos de nylon acolchoados, quetêm aparecido bastante nesta temporada outono-inverno, emboramuitas vezes eles possam parecer tudo, menos um casaco. "Eles são bem interessantes, mas desde que não se exagereno volume, porque na passarela eles são enormes para chamar aatenção", diz. Outras vezes, as roupas aparecem exageradamentesobrepostas. "Você tem que aprender a decupar e dizer, 'nossa,eu gostei daquela camisetinha, aquela que só aparece a gola"',afirma. Para a consultora de moda Costanza Pascolato, o desfile demoda profissional "se aproxima muito de um show". "É o auge de todo o processo da moda. É uma grandepublicidade grátis que todo mundo está contando", afirmaPascolato. "Então, não pode ser igual a uma roupa que você usatodo dia, certo?" PROCESSO CRIATIVO Até chegar à loja mais próxima de sua casa, aquelas roupasfotografas na passarela podem passar por uma grandetransformação -- o que significa ficar mais palatável ao gostoe bolso do consumidor. O estilista Dudu Bertholini, da grife Neon, explica queatualmente quase metade da coleção exibida na passarela éconceitual. "A maioria a gente tenta fazer algumas adaptaçõescomerciais", conta. Como exemplo ele cita um casaco estilo casulo de matelassê."É uma peça única, supercara, que levou dias e dias parafazer", disse. "Talvez a gente faça um desdobramento comercialem moletom, sem o matelassê, para ficar acessível." Mas, peças conceituais podem dar dor-de-cabeça para opróprio estilista, como lembra Erika Ikezili, que disponibilizaaté as roupas mais complexas em seu show-room. "E é engraçado que elas vendem, para a nossa tristeza",diz, rindo. "Muitas vezes a gente nem quer, porque algumas sãomuito trabalhadas e dão um trabalhão para produzir em série."

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