Diane Bondareff/AP
Diane Bondareff/AP

Moda Made in Brazil

Estilistas brasileiros contam como é desfilar na New York Fashion Week, a maior semana de moda das Américas

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2010 | 00h00

Receita para "causar" na passarela da maior semana de moda da América: uma bela coleção que traduz perfeitamente o brazilian lifestyle. Belas tops brasileiras e internacionais. Ótima trilha sonora, iluminação impecável. Acrescentar um cenário de encher os olhos. Suficiente para causar impacto e mostrar que de jogo de cena o brasileiro entende. Empacotar tudo, encher um contêiner e atravessar o Atlântico em direção à Big Apple. Desembarcar no Bryant Park, em pleno coração de Manhattan, pronto para mostrar o que a moda made in Brazil tem. Sucesso garantido.

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Ou quase. "A Rosa Chá fez isso alguns anos. Mandamos por navio para Nova York o cenário do desfile que havíamos feito antes no Brasil, acreditando que a mise-en-scène causaria o mesmo impacto no público internacional. Mas a lógica aqui é outra", relata Jacimar Silva, PR (relações públicas), coordenador e consultor de marketing da mais famosa grife brasileira de beach wear, há 10 anos desfilando na NYFW, evento que neste ano deixa o Bryant Park e migra para o Lincoln Center.

"Nós e Amir Slama (criador da grife, hoje com direção criativa de Alexandre Herchcovitch) percebemos que, quando as críticas vinham, jornalistas, fashionistas e buyers reparavam nas peças, nas roupas. O show importa mas a prioridade aqui é business", completou o PR, em conversa com o Estado enquanto cuidava dos últimos detalhes da lista de convidados da fila A do desfile que a Rosa Chá faz na terça à tarde na NYFW.

Por buyer, entenda-se o tradicional comprador, a figura que faz a alegria de qualquer estilista e/ou varejista. "Moda é varejo. É arte, é artesanato, mas é feita para vender também. Costumo dizer que quem faz moda, principalmente no Brasil, faz qualquer coisa", comenta Valdemar Iódice, estilista e criador da grife que integrou o line up da NYFW em 2008 e 2009 e neste ano mostra sua coleção em uma presentation em outubro. "É importante vender nossa moda para o estrangeiro, mas é muito difícil vencer a concorrência de um mercado imenso e tão bem estruturado. Temos sempre de buscar um diferencial."

Estratégia. Se cenário não garante, a competição é imensa, a cultura é outra, como, então, os brasileiros que integram a seleta agenda da NYFW dão o grito da moda mais alto na hora de vender seu peixe? Alexandre Herchcovitch, que faz seu segundo desfile com a Rosa Chá mas já é veterano da semana com a grife que leva seu nome, responde: "Não há estratégia para impressionar, a não ser a roupa. Como os desfiles no Brasil não atraem imprensa e compradores internacionais em quantidade suficiente para fazermos negócios, temos de mostrar a coleção fora do País."

Carlos Miele sabe disso. Ele criou a M. Officer, estreou a Carlos Miele na NYFW em 2003 e literalmente desbravou os caminhos das passarelas da Big Apple. "Tenho muito orgulho. Deixei as passarelas brasileiras quando não havia mais espaço para minha moda. Escolhi Nova York porque é uma vitrine incrível. Passei a vender 20 vezes mais", conta ao Estado enquanto finaliza seu desfile, que traz uma de suas marcas registradas, o artesanal fuxico. "Hoje produzo no Brasil, tenho showroom em Paris e desfilo em NY. Mas a logística é complexa. O Brasil ainda tem muito que aprender."

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