Moda inverno para rapazes traz couro

A presença de um timaço de bonitões do calibre de Luciano Szafir, Paulo Zulu e Carlos Casagrande levou ao delírio as cerca de 2 mil pessoas que se aglomeravam na Rua Madre Verônica, em Gramado, na noite de quarta-feira. A famosa rua coberta da cidadezinha da Serra Gaúcha foi palco do desfile de outono-inverno do Salão de Moda Masculina, evento que reúne 46 indústrias do setor, responsáveis por mais de cem marcas, e cuja segunda edição terminou na quinta-feira. Democrático, o desfile teve área restrita aos 900 convidados dos expositores, mas a passarela estava ao alcance da população, que vibrou a cada passagem dos astros globais. Para supresa geral, o pai de Sasha causou mais histeria na platéia do que o bonitón Paulo Zulu. Szafir foi um xuxexo! Para os rapazes presentes, o colírio foi a top Gianne Albertoni, que abriu a noite, com camisa e gravata, fazendo cara de garota sapeca. Ela apresentaria outros três looks: um vestido com fitas de couro criado por Marúzia Fernandas, e duas propostas da Danello, a primeira um casaco longo de couro branco e também um smoking com faixa de couro na cintura.No desfile, a stylist Fawsia Boralho mixou peças de todos os partipantes do Salão e o resultado de informação de moda surpreendeu. É interessante verificar como a indústria de massa também consegue seguir de perto as tendências, apesar do compromisso comercial que possui. Idealizado e organizado por Rogério Ceccassi, o desfile revelou que o inverno 2001 para homens será marcado pela cor. ?A temporada terá um colorido mais alegre?, confirma Sonia Regina Hess de Souza, proprietária da confecção Dudalina. O segmento masculino é um dos que apresentam maior crescimento produtivo e econômico dentro da cadeia têxtil brasileira. ?Unidos temos condições de realizar eventos e oferecer um mix completo para os lojistas?, acredita Sonia, que também é diretora de confecções da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) e foi responsável pela criação do grupo de fabricantes de roupas e acessórios para homens que forma o Salão da Moda Masculina. Um dos reflexos mais positivos da inciativa será a criação de um showroom conjunto na sede da Abit, em São Paulo, que funcionará como uma espécie de Salão da Moda Masculina permanente. O grupo também irá participar, junto, de feiras internacionais. O pré-requisito básico para fazer parte da trupe é ser um fabricante nacional. ?Fomos procurados por alguns importadores, mas nós queremos valorizar quem produz no Brasil?, esclarece a executiva. Em sua primeira edição, realizada durante a Fenit´2000 em São Paulo, o Salão da Moda Masculina superou as expectativas iniciais dos promotores, registrando um público recorde de 10 mil compradores em quatro dias. Na edição de Gramado, em uma área de 3,5 mil m², o evento foi realizado juntamente com a Fenin ? Feira Nacional de Moda Inverno, que reuniu 250 expositores e 600 marcas. Do Salão de Moda Masculina participaram as indústriasDo Salão de Moda Masculina participaram as indústrias de gravatas, como Voga e Spring Cravatterie, meias (Selene), calçados (Donadelli), couro (Danello), camisarias (Aramis, Camiceria Rinaldo, ) e grifes diversas, como Bavardage, Dudalina, Camelo, Pierre Cardin, Yves Saint Laurent, entre outras. Várias malharias também marcaram presença, como a Malharia Farroupilha, a Stumpf Malhas, Ricci e D´Uomo Tricot.As grifes internacionais, como Saint Laurent e Pierre Cardin, cumprem a exigência de serem fabricadas no Brasil, necessária para que possam fazer parte do salão. As marcas estão no País sob a responsabilidade da Intergrifes, que terceiriza a produção para fornecedores escolhidos a dedo e aprovados pela matriz francesa. Nos estandes, o discurso dos expositores sobre seus consumidores é o mesmo: o homem brasileiro mudou. Aquele caretão sisudo, que sempre torcia o nariz ao sopro da primeira novidade, morreu. Em seu lugar, surgiu uma clientela que vai às compras sozinha (sem mulher a tiracolo dando palpite) e se permite ousar, principalmente nos acessórios. A ascensão do casual também fez mudar o conceito de bem vestir, e os homens sabem que não precisam obrigatoriamente do terno e da gravata para uma boa apresentação. Jorgito Donadelli, da indústria de calçados Donadelli, oferece sapatos com formas alongadas e em cores abusadas como roxo e pinhão. ?Os sapatênis continuam fortes, agora com influência dos calçados de golfe?, informa. Nelson Riguetto, da Bavardage, diz que os cabans são a novidade para substituir os blazers. ?O jaquetão de quatro botões também está de volta?, diz o empresário. Entre as gravatas, o hit são os tons claros, que apareceram no verão, continuarão em alta no inverno 2001, agora um pouco mais opacos. ?O marinho e o cinza estão enterrados?, avisa Rubens Cohen, da fábrica de gravatas Voga. A malharia retilínea também conquistou de vez o corpinho dos meninos. No inverno, o tricô estará ainda mais forte, colorido e chique, torneando os músculos da rapaziada.

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2001 | 13h31

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